14.4.08

Vrrrrrruuuuuuuuuuuum!!!!!!!!!

imagem: google
Fui ao Moto GP no Estoril pela segunda vez. Da última vez, apanhei sol, um escaldão e enormes quantidades de pó. Desta vez, apanhei chuva, lama e um escaldão na cara. Da última vez foi braços, cara, pescoço… Menos mau.
Acho que o mundo “motard” é um que a não ser que se vá e que se veja, não se consegue muito bem compreender. É, verdadeiramente, um estilo de vida. Vê-se todo o tipo de gente, de todas as classes, de todos os estilos, de todas as preferências, tudo. Todos diferentes, mas todos iguais.
Bem, de qualquer das formas, Moto GP no Estoril. Vamos aos “factos”: - Todos detestam o Dani Pedrosa (até mesmo os Espanhóis… Preferem claramente o Lorenzo) - Todos adoram o som emitido por aquelas máquinas (não tem nada, mas nadinha mesmo, a ver com o que se vê e ouve na televisão) e vibram com aquilo de uma forma impressionante. - Todos gostam de ver as corridas das 250 cc e das 125 cc. São mais “emocionantes”. Os gajos correm riscos que os outros não correm. São muito mais competitivos. Muito mais. - Todos veneram o Rossi. O Valentino é Deus sobre duas rodas. Esta figura meio escanzelada faz bater corações, alterar pressões sanguíneas e é responsável por desejos de avarias e quedas a todos os outros que se atrevem a entrar em pista ao mesmo tempo que ele.
Devo confessar um enorme respeitinho por aquilo que este rapaz faz em cima da mota. Do meu lugar de simples pendura, percebo a forma como aquilo funciona e, digo-vos uma coisa, se há máquina que mete respeito, é uma mota.
(A respeito de ser pendura, tive um episódio meio engraçado com um senhor de uma loja de artigos para motas. Estava eu a experimentar um casaco e a colocar-me mais ou menos na posição em que fico quando estou na mota – meio encolhida e toda dobrada – quando o tal senhor vem ter comigo e me pergunta o que estou a fazer. Expliquei que estava a ver como me ficava o casaco na posição em que o iria ter que usar. Perguntou que mota era. Respondi. “Ahhh! Tu és pendura de uma mota R. És pendura de uma R! Bem! Tenho uma admiração por vocês. Vocês não são simples penduras! Eu nunca o faria. Nunca!” Fiquei a olhar para ele. Mas é verdade. Quando se anda numa mota de “pista” enquanto pendura, para além da posição não ser minimamente confortável, temos de ter um comportamento em cima da mota que faça parecer que não estamos lá sequer. O mínimo movimento fora do tempo pode quebrar o equilíbrio todo. Não deitar o corpo com o condutor numa curva? Cai-se. Não nos encolhermos um pouco mais quando se anda a maior velocidade? Podemos ser cuspidos. Agarrarmo-nos ao corpo do condutor não vale. É uma verdadeira lição de física. Mas pronto… Não era disto que vos queria falar).
Devo também confessar uma enorme admiração por este ser, tão simples e “puro”, conseguir reunir sobre ele a paixão de milhões. E não estamos a falar de paixões tipo “Amo-te Rossi! Quero ser a Mãe dos teus filhos!!” Não. Estou a falar de paixão por aquilo que ele é capaz de fazer. Paixão ao ponto de se lhe perdoar tudo. Ficou em terceiro? Não faz mal. Não há melhor que ele. Não ganhou? Não faz mal. Ele é o melhor. Caiu? Levanta-se! Porra. O gajo até corre com o pulso e tornozelo fracturados! É impressionante o apoio que ele tem por parte dos amantes deste desporto. Sente-se. Ele entra em pista para a volta de aquecimento e as bancadas ganham vida. Ele diz adeus às bancadas? Felicidade suprema.
Este ano, cedo se viu que não ia passar do terceiro lugar. O desânimo foi incrível. As bancadas silenciaram-se. Houve quem saísse logo. Mas ninguém falou mal. Ninguém lhe chamou nomes. Ninguém disse nada. Permanece o facto de ele fazer coisas que mais ninguém faz em cima daquele amontoado de peças de alta engenharia. O Valentino é o melhor dos melhores, e isso ninguém lhe tira. É dos poucos desportos em que fã é fã. Ponto final parágrafo.

8 comentários:

Vitor disse...

Do que tu me foste lembrar agora, pá!

Sabes que ver uma mulher sentada numa moto é das imagens que mais me excita?
Quero lá saber de mulheres polícia, quero lá saber de bibliotecarias com saia curta, quero lá saber de enfermeiras com mini saia... uma mulher sentada numa moto com jeans justos dá-me uma vontade...

aliás só de pensar nisso até já estou com dificuldades em escrever no teclado porque não estou habituado a escrever com onze dedos!

Me disse...

Ahhh... ahhhhhhh... obrigada?

Anónimo disse...

Coitado! É vê-las a fugir no asfalto da vida.

Me disse...

Este singelo comentário do Sr. Anónimo que, suspeito, seja o mesmo que, em relação a níveis e outras ferramentas, não tenha respondido ao meu pedido de dar exemplo de blog "com nível", levar-me-ia a uma extrapolação semi-psicológica sobre as motivações ou intenções na base desse mesmo comentário.
Como, hoje em particular, não me apetece, apenas vou dizer que cada um vê os cus empinados que quer (ou consegue) e que o asfalto, felizmente, é o que nós fizermos dele.
E prontes.

Anónimo disse...

Obviamente, este é o último comentário que faço neste blog. Utilizo o anonimato como utilizam todos os escribas que aqui dão à costa.
Não compreendo, mas também não tenho que compreender, como mereço este tipo de comentário e o senhor vítor se dá ao luxo de confessar as dificuldades em escrever com "onze" dedos.
Tentei criar polémica e espicaçar a autora deste blog porque me dá gozo visitar este cantinho global e, assim, contribuir, de alguma forma, para o surgimento de novos escritos.
Concerteza não pensou que perderia tempo com algo que não me dava prazer, seja no asfalto, na biblioteca, na esquadra ou no hospital... foi um prazer!

Me disse...

Sr. Anónimo,
Não deve andar tão atento quanto pensa. Eu, desde há uns tempos para cá, faço questão de me referir à questão do anonimato quando respondo a comentários (independentemente do teor dos mesmos). Veja por si mesmo. Brinco, inclusivamente com a questão, dizendo que podem usar Open IDs que digam “Sr. Anónimo”…
Em relação à minha resposta no post anterior, não foi a mim que dirigiu a provocação, como diz, mas sim ao “coitado” que as vê passar no asfalto. Eu, talvez erradamente, e dentro do espírito da tal liberdade de expressão que tanto apregoo, comentei que cada um gosta do que gosta, cada um tem os dedos que quiser, e cada um faz do asfalto o que bem entender.
Desta forma, e pensando eu não estar a defender ninguém, pensava poder evitar uma resposta menos adequada, no meu espaço, ao comentário que você mesmo fez. Não quero, de forma alguma, que haja trocas de “galhardetes” entre as pessoas que gosto que aqui venham. Em relação ao teor mais ou menos adequado do comentário do Vítor, isso é assunto que tratarei directamente com ele. Não faz, de facto, parte do teor deste blog aquele tipo de “assunto”.
Em relação ao “espicaçar”… Aceito, obviamente, que terá mais que fazer do que passar os seus dias aqui à espera que eu me dê ao trabalho de actualizar o blog. No entanto, os seus “espicaçares” e comentários têm sido um pouco pesados, a meu ver. Se eu escrevo bem ou mal, não sei. Se sou mais ou menos interessante do que outra pessoa qualquer que tenha um blog? Também não sei. Se sou capaz de melhor? Claro que sim. Sei que sim. Mas, por enquanto, e dentro do “espírito” deste blog em particular, considero estar tudo mais ou menos “dentro do mesmo nível”.
Cada um é como cada qual. Se não quer comentar mais no blog, é prerrogativa sua. Saiba que é, como sempre foi, bem-vindo. Não vou, como já disse, impedir que hajam comentários anónimos. Agora, não pode é provocar e depois não gostar do efeito.
Caso deseje, caso tenha alguma coia que queira dizer e aí sim, sob total anonimato, escreva para outramerdaqualquer@yahoo.com Este e-mail sempre esteve e estará sempre disponível para quem queira partilhar ideias ou opiniões que depois requeiram o devido “follow-up”.
Boa leituras para si, mesmo que silenciosas.

Vitor disse...

O que ia bem agora era uma dobradinha!
Ou uma feijoadita à transmontana... ou assim qualquer coisa mais leve!

Me disse...

Me too.