24.4.08

No Entiendo – Parte IV

imagem: minha (pormenor da fachada de um edifício na Plaza Mayor... imagem mais que adequada...)
Saímos para jantar e… Primeiro, contextualização. Imaginem 5 gajas todas giras a andarem pela rua em busca de comida e abrigo (chuviscava). Imaginem a cara de uma delas (eu) quando, olhando em frente, vê um personagem masculino vestido com um fato de super herói. Um Capitão qualquer coisa. Imaginem ainda a minha cara quando um dos rapazes da comitiva do super herói se aproxima e num terrível espanhol pergunta se conhecemos algum sítio onde o amigo (em despedida de solteiro) podia entrar assim vestido. Eu, simpática, respondi-lhe em inglês pois deu logo para perceber de onde vinha aquela trupe. Perguntou de onde eu era. Respondi: Portugal. Confuso, mas aliviado, o rapaz lá expôs o seu problema. Eu, ainda simpática, desejei-lhe sorte e referi que a Joy Eslava seria boa opção… Mas que em princípio o amiguinho teria de mudar de indumentária. Pelo menos tirar a capa, não é?
As restantes meninas, divertidas com esta abordagem tão sui generis, lá se foram rindo com aquele grupinho de Ingleses. O Noivo, coitado, tinha um ar tão infeliz que tive pena dele. Despedimo-nos e fomos embora. Andamos 2 metros. Vem outro elemento da comitiva ter connosco. Este, mais criativo, pergunta em Espanhuelês se por acaso não seriamos de Portugal. É que eles precisavam de uma fotografia do Noivo com alguém de Portugal! Ri-me e dei-lhe os parabéns pela originalidade. Afastei-me. Quem ficou para trás, as duas Guias Turísticas, foi alvo de súplica elaborada, de joelhos, mãozinhas juntas ao peito. Não há gaja que resista a um rapazito bem parecido de joelhos numa rua molhada a suplicar por 2 minutos para tirar uma fotografia. A Guia Turística-Mor lá cedeu e foi fazer pose junto do Super-Herói-Capitão-Quasi-Casado. Eu, câmara em punho, também aproveitei para ir tirar uma foto. Estava eu a colocar-me em posição quando vejo um outro elemento da comitiva (eram aí uns 10 oh caraças) com a mão dentro das calças. Depois vi esse mesmo elemento a rir-se e sacar a razão que o faz Homem (e não Mulher) da braguilha. Virou-se para a nossa Guia Turística e Capitão-Qualquer-Coisa e presenteou-os com uma bela visão do que se pensaria poder ser motivo para sorrir. Os outros, vendo a cara da Guia Turística Mor petrificada, mandaram-no arrumar as coisas no devido sítio enquanto, mais uma vez, suplicavam que a menina não se fosse embora. Eu, da minha parte, atirei-lhe com o meu olhar 539 e afastei-me. Lá nos fomos embora.
Entre risos e expressões de incredulidade, eu lá disse que apenas tinha visto a parte “introdutória” do instrumento enquanto que a Guia-Mor exclamava “Eu vi todo! Foda-se! Era só o que me faltava!!”. Rimo-nos e lá nos fomos.
Foi depois disto que encontramos o tal sítio para comer. Entrámos, cerca da 1:10, como já disse, e sentamo-nos junto à janela. Pedimos. Fumamos (tão bom!!!). Aí uns 10 minutos depois, aparece um rapazito bêbado que nem um cacho no passeio. Dá umas voltas, abana-se, grita, aponta… O normal para quem tem mais álcool no sangue do que sangue no álcool. Entretanto, chega amiguinho deste Sr. Mr. Bêbado e, olhando para nós tão lindinhas à janela, começa a tirar as calças. Primeiro, de rabo virado para nós, puxa-as para baixo e depois, e com certo ar de desconforto (fazia frio) lá puxou os boxers para baixo também. Eu consegui desviar o olhar quando me apercebi que ia virar-se para nós. Raios me partissem se eu ia ver uma segunda picha nessa noite sem o ter pedido! O resto do pessoal, no entanto, viu bem a coisa. Riam-se, riam-se, riam-se. O rapazito lá se foi embora, a apertar as calças enquanto andava… Eu – Porra! ‘Tás em Grande! 2-0! Guia-Mor – “#&%”/&”$#?!!!!!!!!!!!!! Eu – Atão? Vens a Madrid e és recebida desta forma tão simpática! Olha que em Portugal ver duas pilas à borla e sem pedir numa só noite não é fácil! Guia-Mor - #”&”$#!)!!!! Ficamos sem perceber se aquilo era coisa que dava aos rapazes por estarem em Madrid ou se era mesmo só fixação de gente Inglesa. Já fui a Inglaterra duas vezes e juro que nunca vi numa pila ao ar livre (nem por baixo de telha, quanto mais!). There was something in the air that night… Só pode. Lá nos fomos embora. Joy Eslava. Fila enorme. Fomos tomar um café. Quando chegamos à porta da disconaite, reviravolta nos acontecimentos. Um dos porteiros ordena que o pessoal sem convite teria de entrar pela porta ao lado. Encaminhamo-nos para lá e, espantem-se, de últimas na fila, ficamos nos primeiros lugares. Nunca subestimem o poder de gajas com frio e de saltos. Andamos rápido como caraças. Entramos. 18 euros, direito a uma bebida. Menos mau, pensamos. Há-de valer a pena. Fantástico cenário. Lindo, lindo, lindo. O espaço, uma antiga ópera, tem filas de balcões dourados e um palco. Cheio de gente. Musiquinha salsa. Estávamos bem. Até que… A coisa virou. A música, por alguma obra cruel do destino, mudou e, de repente, voltamos a ter 15 anos. Parecia que estávamos nas matines de domingo de há 15 anos atrás. Espanto. Incredulidade. Desilusão. Lá encontramos um sítio mesmo em frente a um segurança e fizemos o melhor que podíamos com o pouco que tínhamos. A música não era das melhores, o pessoal não se mexia. Tudo muito parado. Mesmo. Ninguém dançava… mexiam-se. Pasmaceira. Nova reviravolta. Decidimos que o melhor que tínhamos a fazer era aproveitar. Dançamos, pulámos, cantámos, um fartote de rir e de figurinhas de totó (aula de aeróbica pelo meio e tudo). O segurança ria-se à socapa. Tínhamos um pequeno séquito de fãs por perto. Iam-se rindo, mas nunca se meteram connosco. Houve uma altura que eu, de mãozinhas no ar e fazer a dança da batedeira (não perguntem...) recebi um “dá-me 5” de um rapazito. Respondi logo “Não toca!!! Não toca!!!!” e apontei para o segurança. O rapaz pediu imediatamente desculpa. Cinco minutos mais tarde, decidiu passar por nós… Disse-lhe logo novamente “Não toca!!! Ai!!! Não TOCA!”… Coitado. Até levantou as mãos… olhou para o segurança e pirou-se. Houve um outro rapaz que ao ver as nossas figuras se estava a rir tanto que se aproximou de mim e perguntou no seu melhor inglês “Wéraryufróm?”. Respondi: Far away! Ficamos por aí. A Joy Eslava é uma disconaite lindíssima. Nós apanhamos, muito definitivamente, uma péssima noite. Mas digo-vos uma coisa, não havia mais ninguém naquele sítio que se tenha divertido tanto quanto nós. E tudo, sem álcool. Bebemos apenas a bebida a que tivemos direito com o preço da entrada. Eu, querendo mais um Martinizito, fui perguntar o preço. 11€. Sorri o mais simpaticamente quanto podia e pensei coisas que não vou agora escrever aqui. Por isso, sóbrias até aos ossos e ainda bem. É a melhor forma de nos conseguirmos lembrar das coisas no dia seguinte… E pronto. No dia seguinte viemos embora. E aí têm o resumo alargado das nossas 48 horas em Madrid, com direito a 2 pichotas, aí uns 20 kms andados, dores nos pés e muito sono de sobra para um belo domingo à tarde passado a dormir a sesta. Foi fantástico. E pronto! The End.

2 comentários:

Vitor disse...

Ou seja, depois do costume iniciado na década de 80 de ira a Badajoz comprar caramelos, inicia-se por esta altura o costume de ir a Madrid ver Pilas Inglesas!

Spoooookkkkkyyy!

Me disse...

Exactamente!
E do lado inglês inicia-se o costume de ir a Madrid mostrar as pilas! Esta coisa da partilha de culturas e costumes é fantástica!