26.10.06

Promessas, promessas

Eu logo vi! Eu logo que vi que prometer algo no ciberespaço seria demasiado perigoso! Já levei na cabeça! Só se deve prometer o que se conseguir cumprir e tal… não faças promessas que não possas cumprir … Oh, pá! Mas que raio?! E quem disse que fazer uma promessa que não se tem 100% certeza de poder cumprir não nos ajuda a cumprir ainda mais? Não nos faz trabalhar mais para a cumprirmos? É como se fosse um objectivo… uma meta… Tudo para não decepcionarmos a outra pessoa porque gostamos dela (ninguém está a falar de promessas feitas a pessoas de quem não gostamos, pois não?) e sabemos que ela precisa de nós (isto sem contar com as promessas aos santinhos… mas isso é outra entrada neste blog. E ainda não chegou esse dia…). Prometer apenas o que se sabe poder cumprir. Isso não é batota? Promessas, promessas, mas não tanto, né? FRACOS! Eu já prometi (e cumpri) coisas que me fizeram trabalhar mesmo a sério. Eu já prometi (e não cumpri) outras coisas que me fizeram trabalhar ainda mais a sério. Agora, quando sei que consigo, prometo? Não. Garanto (eh carago! É muito à frente!) Vejo isto como um sinal de respeito. Se há alguém que precise ou queira algo de mim, mas queira tanto, tanto, tanto, que eu me sinta na obrigação de prometer que não vou esquecer, que vou fazer, que vou estar, que não vou fazer, que vou levar, seja o que for, como raio é que vou conseguir não cumprir? Como raio vou conseguir não trabalhar para conseguir o que é preciso? Prometer apenas “formaliza” a coisa. Dá-lhe um carácter final, sério, sinistro quase. Quem não ouviu já “Olha que prometeste! Agora esquece-te!” Valha-me qualquer coisa (mais uma vez, seria precisa outra entrada no blog só para explicar porque disse isto assim… hoje não). São essas as promessas que mais gosto de cumprir. As promessas surpresa… ahhh pois é! Para além de não falhar, ainda se manda uma chapadinha de luva branca à outra pessoa… como quem não quer a coisa… e por muito que se goste dela, temos de gostar mais de nós, né? Não costumo prometer muitas coisas a muita gente, nem poucas coisas a pouca gente. É coisa que prefiro não fazer (veja-se só o que aconteceu aqui!). É como apostar. Não aposto, teimo. É mais giro. Ou eu levo esta coisa das promessas muito a sério, ou então as promessas já não são como antigamente. Quem quer teimar comigo que não vou fazer mais promessas até o final do blog?? Alguém? Aceitam-se teimas.

2 comentários:

p disse...

eh lá… o artista não promete, garante; não aposta, teima…
bom…
já dizia Nietzsche que não se prometem sentimentos; esses são involuntários. pode, isso sim, prometer-se comportamentos, acções ligadas a sentimentos
quando o sábio leitor afirma que não se deve prometer o que não se tenha a certeza de se poder cumprir é nessa perspectiva, na medida em que não se devem criar expectativas que sabemos poder não conseguir cumprir; nesse caso deseja-se, ‘intenciona-se’, não se promete
as promessas têm, de facto, um carácter sério. por isso, e só por isso, devemos fazê-las primeiro a nós; é um acto egoísta e solitário, pensará o artista; é uma questão de respeito e lucidez, dirá o bom leitor; para connosco e para com os outros
permita-me o artista… prometa-se e não se cumpra; garanta-se e não se consiga; aposte-se e perca-se; teime-se e não se ganhe… tudo não passa de semântica

bjs

Me disse...

Nunca passaria pela cabeça da artista interpretar de outra forma o que o bom leitor anteriormente tinha dito em relação ao tema semântico aqui em discussão. No entanto, e ainda que isto não seja própriamente um confessionário, também se pode ir exprimindo opiniões, pensamentos, sentimentos, emoções, e, quem sabe, comportamentos (resultantes dos anteriores, claro), sem ter que haver nenhum alvo contrário/oposto/diferente aos mesmos. Ou as coisas não podem existir por simplesmente existir? Não podem ser faladas, feitas, tidas e experimentadas só porque sim?
O bom leitor é um bom leitor. O artista é um bom artista.
Eu também gosto de ti, pá.