27.11.08

Afinal...

imagem: google
A resposta prometida pelo V. ao post anterior foi entregue… AQUI. Devo admitir que fico sempre meio admirada ou surpreendida por, de vez em quando, ver que as coisas que me passam pela cabeça não andam assim tão fora da lei, por assim dizer. Eu sou uma gaja pacata. Já fui menos, já fui mais. Sou, como ainda há pouco tempo uma amiga me disse, “muito dona do meu nariz” (pode haver quem lhe chame teimosia…). Tenho bem cientes em mim os meus valores, convicções, princípios, as minhas “causas”. Chego a roçar o boring, o previsível. Admito igualmente que cada vez mais me vejo como uma gaja meio a atirar para o “antiquado”. Exigem-me modernidade, mas eu, dado não entender muito bem o que há de “moderno” em certos comportamentos ou atitudes, mantenho sempre bem presentes as coisas que me fazem sentir segura de mim e dos outros, as coisas que me orientam e não me deixam perder o caminho. Às vezes, faço isto olhando para o que tenho, quero e sou, outras vezes olho para as outras pessoas e tento ver o que há para ver. Às vezes, sinto-me validada nas minhas crenças, outras não. Às vezes sinto-me meio perdida. Outras não. A tal fotografia dos Sábados à noite, como disse o V. no post de resposta, pode ter sido exagerada, mas é o que vejo quando pratico o meu desporto favorito de “People Watching”. E não é preciso ir a sítio nenhum num Sábado à noite para “ver” estas coisas. Existe sempre e em todo o lado. É claro que as lentes que uso (os meus tais princípios, ideais, crenças, etc.) dão ou mudam a cor do que vejo. É o que EU vejo, e não necessariamente o que há para ser visto. Ele é homens e mulheres mal casados/amados/resolvidos que leiloam um momento de honestidade sobre o que realmente querem e precisam a quem oferecer mais pelo esquecimento ou adormecimento imediato de tais problemas. Trocam o que são, querem e precisam por aquilo que uma outra pessoa qualquer lhes pode fazer sentir naquele momento em que o tal vazio está prestes a engoli-los. O abanar de mamas e coçar de virilhas são apenas elementos de sinalética que gritam uma espécie de “Salvem-me, nem que seja por minutos”. Pode não ser sempre o caso, mas… O que eu acho realmente perverso no meio disto tudo é que “antigamente” os homens eram vistos (pelas mulheres) como sendo uns cabrões por terem certos comportamentos, por terem certas atitudes, por serem capazes de dizer “Ok, já me sinto salvo o suficiente, agora pira-te que a minha mulher deve estar a chegar”. Hoje em dia, as Mulheres fazem o mesmo. E não há problema nenhum com isso! Cada cabeça, sua sentença… O perverso da questão é que as Mulheres não o admitem. Recusam admitir que o fazem, mesmo que consigam perceber que o que estão a fazer cai directamente na mesma categoria daquilo que tão vivamente criticavam nos homens. Não temos de ser melhores do que os homens (nem melhores nem piores em nada, muito menos em relação a este assunto), atribuindo causas mais nobres para justificar o que sabemos perfeitamente que faríamos de qualquer das formas, mas também não podemos negar que o fazemos exactamente da mesma forma que eles. De caçadas queixosas e infelizes no dia a seguir, passamos a caçadoras sem piedade por nada nem ninguém (muito menos por nós). Ainda nos estamos a adaptar a este “novo” papel que agora é impossível disfarçar que assumimos? É provável.
A memória é uma coisa gira. Esquecemo-nos tão rápido daquilo que não nos convém lembrar. Tão rápido. Àquilo que convém, agarramo-nos com unhas e dentes. Ao menos que sejamos capazes de admitir e viver bem com a pele que agora vestimos e começamos a mostrar. Talvez aí não seja preciso abanar tanto as mamas e as saias e decotes possam voltar ao tamanho “normal”? Talvez.

18 comentários:

Piston disse...

Eu cheguei a uma conclusão:
A maior parte das pessoas anda a medicar com sexo desenfreado e descomprometido uma doença chamada "falta de afecto / relação longa que acabou" (independentemente de ter havido traição ou não).

Dudaninha disse...

Depois de saltitar de post em post, de blogue em blogue, deixa-me dizer-te que concordo contigo em toda esta temática. E não és nada antiquada! Estás é no caminho certo! :)

morcego persistente disse...

Penso que o Piston tem razão, cada vez mais se dá mais importância ao sexo ao invés dum bom e simples abraço acompanhado com uma bela conversa... Antiquada? Não o acho...Talvez com valores que se foram perdendo no tempo, que na minha opinião, nunca desrespeitando outras, é uma pena.

Abreijos
Tixa

O inconformado disse...

O pessoal esquece-se que o ser humano é complexo por natureza. Os próprios relacionamentos inter-pessoais são complexos. Existem pessoas que precisam dessa "falsa liberdade" para se sentirem realizados, outros procuram espairecer as ideias depois da saída de um relacionamento conturbado, outros andam simplesmente perdidos e alguns conseguem-se achar depois de passar pela experiência. Não existe uma forma certa e universal para se viver, cada pessoa é única tal como as suas experiências. O que muda hoje em dia é a abertura com que se fala sobre os temas e se fazem "as-coisas-feias-que-antigamente-se-reprovavam-de-forma-castigadora". Hoje a liberdade dos sexos (sim, dos dois lados) nas sociedades mais avançadas permite que cada um procure o caminho para a felicidade sem condicionamentos nem julgamentos de valor como se faziam no tempo dos nossos avós.

"Live and let live" não é um bom mote...?

Ana disse...

Ainda ontem falava com um grupo de pessoas sobre a questão de as mulheres serem mais "agressivas" e de os homens andarem "sempre ao mesmo", até que às tantas alguém (um homem, diga-se) disse algo como isto: "bah...mas depois quando nos apaixonamos acabamos por voltar à adolescência, inseguros e sem conseguirmos articular duas palavras e vocês fazem de nós gato-sapato", ao que as mulheres do grupo disseram: "pois...aqui é o mesmo..nós ficamos parvas e vocês depois fazem de nós gato-sapato".

A verdade é que há aí muita solidão que anda a ser tratada com placebos de sexo ocasional...

Me disse...

Piston,
A auto-medicação é um perigo… E já agora, a associação que fizeste com o fim das relações e a possível causa específica da traição que leva o pessoal à auto-medicação… Seria para validar que não se merecia a traição? Resposta à dor causada??? Desenvolve, please!!!

Dudaninha,
Caminho certo? Ohhh… Só me vem uma expressão à cabeça: Good girls go to Heaven, bad girls go Everywhere.
Caminho certo ou não, às vezes sinto-me meio antiquada! Parece que cada vez menos pessoas partilham de certas coisas…
Obrigada pela visita e pelo comentário :)

Tixa (e em continuação à Dudaninha),
Pois… Mas essas coisas dependem de nós. Eu sou do tipo que me arrependo pelo mal que fiz, nunca pelo que deixei de fazer. O que deixamos de fazer é, no limite, “recuperável”. O que está feito, feito está. Já aprendi muitas lições. Já fechei muitos caminhos que não quero percorrer novamente. Às vezes acho que é mais isso… o pessoal não aprende. Nem chega a ser uma questão de valores… é aprendizagem. Beijos para ti Morceguita

Inconformado,
Claro que é um bom mote… Cada cabeça, sua sentença. E não é uma questão de julgar o tal caminho que se escolhe… Nopes. O que acontece é que às vezes escolhe-se o caminho e depois não gostamos da estrada… ou então não sabemos onde estamos. Essa tal busca da felicidade leva muita gente a cometer erros… e esses erros têm consequências sobre todos os envolvidos (e não só). Estamos apenas numa de analisar e “conversar” sobre o assunto. Não criticar e julgar… pelo menos não directa, directamente… :)

Ana,
Ai o amor. Todos fazemos figuras. Todos achamos que estamos na mão da outra pessoa enquanto ela pensa que está na nossa. E ainda bem! O amor é assim…
Os placebos… pois é. O tal preencher de vazios…
Dantes dizia-se que o caminho para o coração de um homem era pelo estômago… Hoje em dia, o gps diz que deve ser um cadito mais abaixo… (e o contrário também vale em relação às mulheres, não me lembro é de nenhuma expressão semelhante… talvez nunca tenha havido caminho directo para o coração de uma mulher? Deve ser mais sinuoso, de certeza…) Enfim. Mudam-se os tempos… mudam-se as vontades. E nos entretantos, os vazios crescem e crescem e crescem… e as figurinhas também. É proporcional.
Beijos para ti, Ana (Knows Best)
;)

Piston disse...

Exemplo clássico e que é igual em ambos os sexos (não quero com isto dizer que é regra).

Namorado acaba com namorada de longa data.
Ex-namorada está devastada. Namorada percebe que não há volta. Ex-namorada começa a comer todos e mais algum que apareça sem ter qualquer relacionamento emocional prévio. Anteriormente, sexo casual não era opção para esta ex-namorada.

A minha teoria:
Esta nova atitude de como um diferente por dia se por acaso calhar, funciona de duas formas:
- Deixaste-me mas vou vingar-me. Passei a ser uma devassa. Quero que saibas e vejas no que me tornei. Quero que vejas que não dependo de ti, sou livre como nunca antes fui. Não me afectaste.
- Estou sozinha e preciso de sentir que alguém me deseja. Se tiver que ser à conta de uma queca no estacionamento, assim seja. Faço-o desde que isso me faça sentir desejada e procurada (nem que seja só para dar a próxima).

Esclarecida?
Tenho a testa à disposição para receber o carimbo "bronco".

il lato nero disse...

Ainda há pouco comentei um post com a seguinte frase:
"Qualquer dia isto vira uma orgia Universal."
E para lá caminhamos.
Qualquer dia seremos tão vazios e ausentes de valores, que nada terá o seu devido valor, tudo será banal.

O inconformado disse...

eh pá... pessoal... por favor... vamos lá acabar com os moralismos, fins-do-mundo-decadentes, análises socio-económico-patológico-sexuais e outros derivados que poderiam levar a uma conversa sem fim e sem conclusões concretas à vista. Basta fazer umas contas para ver que em termos estatísticos existem tantas variações nas abordagens a este (não) problema, como pessoas que existem à face da terra. Cada pessoa tem os seus motivos, cada pessoa toma as decisões certas ou erradas, cada pessoa influencia positiva ou negativamente a vida de terceiros. Viver é isso mesmo: ganhar experiência cometendo erros e aprendendo com eles. Todos nós temos os nossos valores (carteira incluída) e o importante é sermos fiéis a eles. Quem quer dar umas quecas que dê, quem quer fazer amor que faça, o importante é que sejam fiéis a si próprios quando o fizerem. O motivo pelo qual há muitas guerras nesta bola azul é porque o ser humano está sempre a tentar, à força, impor o seu ponto de vista aos outros. Isso e falta de muita queca, foda, rapidinha... sexo no geral! Portanto... aproveitem o sexo da melhor forma possível enquanto podem, porque é das únicas coisas que ainda não paga imposto e... faz bem à auto-estima, moral e à pele!

Ana disse...

Bem... por hoje abstenho-me de comentar. Acho que já disse tudo que tinha a dizer sobre isto.

Há pessoas e pessoas e nos dias de hoje, aparentemente, cada um faz o que quer sem se sentir particularmente penalizado por causa disso.

Há muito tempo que não faço juízos de valor, porque cada um sabe de si e (para quem é crente) Deus sabe de todos.

Beijinhos!

p.s. E afinal, os outros desafiados não respondem ao desafio?????

Me disse...

Piston,
Eu já estava "esclarecida" antes da tua resposta... queria apenas ter a certeza que estavámos a falar da mesma coisa. E é verdade, para nos "vingarmos" ou preenchermos vazios, fazemos coisas que de outra forma não fariamos... Fala mais alto a frustração e desespero... Nada de carimbo de bronco... Fica tranquilo
:)


Lato Nero,
Fosgasse! Livra! Acho que isto qualquer dia chega a um ponto em que o pessoal inverte a cena e passa do 80 de volta para o 8... Estou-me a lembrar do exemplo dos EUA... (mesmo que não sejam exemplo...). Dada toda a promiscuidade (etc) que surgiu, começou a haver grupos de gente (eles e elas) que voltaram à tal coisa da castidade, virgindade... etc. Ou seja, enquanto meio mundo andava a pinar desenfreadamente, começou a haver gente a negar isso. a Assumir que não seria assim para eles. É apenas um exemplo do processo de 8 - 80 - 8...
Se realmente isto se transformar numa orgia, informo desde já que passo a não sair de casa... ;)

Inconformado,
Oh, pá. O pessoal está aqui a conversar... é um blog... o pessoal comenta, desenvolve, dá a opinião... Ninguem quer mudar o mundo, apenas falar sobre ele. Não há falsos moralismos nem lições de moral. Live and let live também passa por o pessoal poder falar abertamente sobre as coisas... E é só isso o que se está a fazer. Não é obrigatório chegar a conclusões ou ditar regras... Nem é esse o objectivo!
Ai o menino!

Ana,
:)

Os outros desafiados... hmmm... uma sofre de preguicite... o outro... desapareceu... Não sei de nada... Valeu a tua resposta e a resposta do Inconformado :)

PKB disse...

Abertura hoje. Convidada para a Grande Inauguração =)
Beijinhos!

Me disse...

Já lá fui!!! :)
Fantástico!
Mais um blog que de certeza vai ser um espectáculo!
Ana, os meus parabéns e desejos de continuação do teu bom humor, excelente visão e clareza de pensar.
Passaroca, you Know Best!
:)

PKB disse...

Ai... espero não defraudar as expectativas. POr vezes é difícil escrever sem um mote...
Obrigada pela visita! És uma querida!

Piston disse...

Acabo de ver o primeiro episódio de uma série chamada "Californication". Tem tudo a ver com este post.

Me disse...

Piston,
Nunca vi essa série, infelizmente. Nunca consigo apanhar a coisa no ar. Mas, pelo nome e pelo que já ouvi falar, sim, creio que terá muito a ver com o post ou com esta linha de "pensamento". Vai contando... Já que não a vejo, posso ir lendo...
:)
obrigada pela visita

Nuno T disse...

Upa, este tema daria pano para mais uma troca de ideias (remember?). Mas concordo contigo. E com o Piston.
Ah, vê o Californication. Não te arrependerás.

bj*

Me disse...

Nuno T,
I remember... lança lá o mote. Eu desenvolvo... tu desenvolves... Ou então, tipo debate... ou...
Vá, fico à espera
:)
Venha o pano para fazermos as mangas!

Piston,
Tankiu pelo envio do link para a série... Vou dedicar especial atenção à coisa
:)