Vou-vos confessar uma coisa. Shhhhh…
Eu tenho um mau feitio do caraças e há uma coisa que
ainda não me consigo impedir de fazer a tempo de não a fazer... Ora, aqui vai.
Às vezes, quando vejo gente assim muito mal engendrada e mal-amanhada
do cérebro e, no essencial, totó (nos dias bons), fico sempre admiradíssima com
o facto de conseguirem arranjar alguém com quem casar e ter filhos, de terem
emprego bom e uma data de outras coisas que não vale a pena mencionar. Olho
estas pessoas, homens ou mulheres, e, de boca aberta e de olhos arregalados de
genuíno espanto, só consigo pensar na espécie de injustiça que a vida pode ser
e em como a ignorância, por vezes, é mesmo o melhor remédio.
Admiro as pessoas que, porque sim, fazem exactamente o
que se espera que façam na vida, cumprindo à risca com todas as actividades e
tarefas que lhes cabem em sorte, e que, ainda por cima, são felizes! Nunca
tiveram de perguntar nada a ninguém, apenas cumprir com o que lhes era dado
para cumprir e, talvez por isso, andam por aí todas felizes por estarem contentes!
Tenho uma espécie de inveja semi-macabra em relação a
pessoas assim. Fazem tudo o que é suposto fazerem, sem questionarem,
acreditando piamente que a coisa é por ali, e vivem felizes e contentes como se
tudo aquilo tivesse sido inventado e criado por eles.
Por norma, é deste tipo de pessoa que ouço pérolas do
tipo “Pois, com esse cabelo curtinho, um carro à gajo e essa mania de seres
bruta, é claro que não tens marido, nem filhos, nem trabalho! Deixa crescer o
cabelo ao menos! Tu até és gira!”.
E eu, que devia ser que nem eles e acarretar com este
conselho de vida e torna-lo missão de vida, vejo-me, de novo, de boca aberta e
olhos arregalados, sem saber o que dizer mas na mesma cheia de inveja daquele
processo mental que levou àquela lógica tão simples mas tão simples, tão
simples, que, seguindo-a, todos os meus problemas seriam resolvidos.
Respondo com um “Oh, foda-se”, passo os dedos pela nuca
quase rapada (pente um ou dois, depende…), pego nas chaves do meu Brutus e
vou-me embora para casa remoer a minha inveja e falta de capacidade para
integrar certos conceitos (de birra, pronto).
E aí têm um segredo. Fico abismadamente parva (e
invejosa) com gente totó de sucesso. É mais forte que eu.
Shhhh……
E os vossos? Contem. Vá lá... Eu não digo a ninguém...
14 comentários:
Eu cá tenho medo dos lobisomens.
Também eu!!! Confesso!
eu tenho fetiche com mulheres de cabelo curto :P
Eu tenho grande admiração e espírito de conluio com mulheres de cabelo curto... :P
Isso não é segredo.
Nem o teu o era :P
Damn!
É claro que tenho medo no escuro.
Lima,
:P
Fernando,
Welcome!
Tens medo NO escuro? Apenas e só?
Isso resolve-se... não apagues as luzes...
O meu verdadeiro segredo é que tive medo, por momentos, que este tipo de escrita desaparecesse e desse origem à escrita semi-enconée do desafio da rotic...escrita, escrita!
Hahahahahahahah!!!
Tens com cada segredo...
Por momentos ainda pensei que fosse teres medo que deixasse crescer o cabelo... :P
Por acaso até sou curioso quanto a esse facto. A tal constante insatisfação que os pedantes como eu usam para disfarçar a natural cusquice :P
Ahhhhh 'tá bem.
:P
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