12.5.12

Terra das Oportunidades

imagem: google

Com que então, o desemprego é uma oportunidade e o que interessa é salvar os desempregados do estigma associado a tal condição. Que nada disto tem de ser negativo, muito pelo contrário, tem todo o potencial de ser positivo.
Sendo eu uma estatística há já dois anos e pouco, tenho de admitir concordar com esta perspectiva. Lamento, mas concordo.
A minha situação, e falo por mim, tem-me trazido oportunidades que dantes nunca poderia sonhar para mim. Por exemplo, a oportunidade que tenho de ou alugar a minha casa, ou vender o meu carro para poder pagar a minha casa durante mais uns meses. Também tenho a fantástica oportunidade de voltar para casa dos meus queridos pais. Quem diria que aos 32 anos, teria tais oportunidades? E a de ficar referenciada no banco de Portugal caso não pague a prestação a tempo e horas? Outra bela oportunidade que me foi dada pela minha não-estigmatizante situação de desempregada. Tudo isto é positivo! De uma só assentada, posso oferecer habitação a um custo razoável a quem não pode comprar casa; posso reforçar como nunca os laços familiares e, como cereja, posso justificar os empregos e ordenados dos colaboradores do Banco de Portugal, garantindo assim que se mantêm activos e salvos de certos estigmas.
Também tenho tido a oportunidade de perceber que os anos que passei a estudar e a, supostamente, melhorar-me enquanto profissional, enquanto pessoa, apenas servem para hoje ouvir e ser alvo de certas troças como “totó… nem com o 12º segundo consegues emprego, quanto mais com essas merdas todas que tens no currículo”. Anos e anos de oportunidades perdidas – festas a que não fui, noitadas que não fiz, viagens que não viajei, coisas que não tive… Tudo em prol do pleno evitar de certo estigma, tudo a favor do impedir que uma certa situação me atingisse em cheio e me atirasse para o campo das verdadeiras oportunidades que por cá tanto abundam.
Parva. Parva. Parva.
Concordo com os senhores que, do alto da sua simpatia, empatia e tocante preocupação, nos presenteiam com tais pérolas discursivas, levando-nos a filosofar e contemplar o sentido da própria vida sob novas e muito mais úteis perspectivas.
Não querendo ser repetitiva, mas sendo-o, repito: Vão-se foder, Srs. Doutores. Vão-se foder. 

4 comentários:

Quase nos "entas" disse...

Ao que nós chegamos!!!
Esta é a triste realidade.....
eu tambem passei no desemprego, felizmente por pouco tempo.
Espero que consigas organizar a tua vida rápido!

Me disse...

Quase nos "entas",
O conceito de rápido, para mim, passou a ter outro significado.
Mas, e em abono da verdade, eu até nem sou dos piores casos. Há quem tenha filhos, não tenha casa dos pais para a qual voltar...
É verdadeiramente desesperante pensar em atirar fora o que se passou mais de uma década a construir, mas pior é não haver perspectiva de melhoria. Nada.
Também espero resolver a minha vida. E cá vou esperando.
Obrigada pelo comentário
:)

Quase nos "entas" disse...

è verdade,
Eu tinha um filho a cargo, sozinha ...foi assustador confesso.
Toda a sorte para ti ;)

Me disse...

Para nós! Nós todos!