9.2.11

Ainda


imagem: google

“Ainda acreditas no amor?”, perguntou-me.
Resistindo ao instinto de responder com um “Não” seco e redondo, prova de que a falta de fé teria ganho mais uma batalha nesta guerra dos amores e desamores, respondi: “Sim. Mas não como dantes. Nem na parte do amor, nem na parte do crer. Mas, sim. Acredito”.
Ora bem.
E eis que se descobre, com uma simples pergunta, que existem dois problemas eventualmente a necessitar de resolução: um referente ao amor e outro referente ao crer.
Periclitante problemática.
Isto já quase que parece aquela questão da galinha e do ovo: o que veio primeiro? O Amor ou a Crença? Há Amor sem Crença? E Crença sem Amor? É como aquela outra cena dos extraterrestres? Que não existem mas que os há, há?
Há pequenas perguntas que me baralham. Pequenas respostas que baralham ainda mais.
E isto tudo para não falar nas “responsabilidades” que temos em perpetuar ou não o sistema… Se apanharmos com alguém Descrente, transformamo-lo num Crente? Mesmo que seja à custa do nosso próprio Crer? E os Crentes? Deita abaixo para aprenderem a não ver o mundo tão cor-de-rosa? Imbuir-lhes com um bocado de “tough love”?
Às vezes pergunto-me se não será por andarmos todos trocados com estas coisas do acreditar no amor e no crer e no amor dos outros e no nosso e no do raio que o parta, que andamos sempre ou meio passo atrás ou meio passo à frente uns dos outros. Sempre desencontrados. Nunca coordenados. Sempre descentrados.  
Acho que é uma boa pergunta para se fazer a seja quem for. Talvez as respostas ajudem a que se acertem os passos, os andamentos, os caminhos, os movimentos, as idas e vindas. Nem que seja a música. Ao menos que dancemos todos à mesma música.
Periclitante, de facto. 

17 comentários:

one hundred trillion dollars disse...

ó komunista....

O Tarado disse...

Sim há extra-terrestres... ficam para lá de plutão e mandam mensagens agarradas a asteróides. É assim que comunicam com os humanos.

Os humanos são estranhos. Amam e pensam que amar é algo de complicado e difícil. Não é. Difícil é gerir os outros sentimentos em sintonia com o de amar.

É como quando fazes um minete a uma gaja peluda estás a ver? Tens lá os pelos e tens de saber como os afastar ou organizar de forma a não atrapalharem o resto.

Tcp disse...

Me

E depois temos o "ver para crer"

Periclitante de facto.

;)

Maria disse...

Engraçado ler isto, ainda anteontem disse:

queria que andasse a meu lado, não à frente, nem atrás.

Até para crer, querer, acreditar,apoiar ou renegar, tenho dias...não teremos todos?

Depois aquele meu espírito de acudir ao que está mais fraco, em mim ou nos outros, vai-me recolocando. Ora dou por mim a defender estoicamente ora dou por mim a despejar baldes de gelo.

Egoiste disse...

Um crente tem de amar?
Um amante não pode acreditar?

Ainda bem que a tua questão não reside no significado de periclitante. Aí sim, isto ia ser complicado...


:)

Me disse...

One Hundred Trillion Dollars,
Porkê?

Me disse...

Tarado,
Quais outros sentimentos? Queres tu dizer, então, que o amor é o centro de tudo e que tudo quanto venha por acréscimo é que é difícil de gerir? É isso?
Então, mas se assim for, então não é o amor que deve mandar nos restantes e metê-los na ordem?
Baralhas-me.
Quanto aos minutes, entendo.
Há prazeres que têm os seus "senãos". Tipo o amor...
É isso?

Me disse...

TCP,
Pois... O tal "Make me Believe!"
O ver para crer é lixado... temos sempre a hipótese de desviar os olhos naquela preciso momento... Há quem não queira crer...
:)
Quem diria que se fala de algo tão simples. Parece que andamos todos a construir bombas atómicas, oh pénis.
Caredo!

Me disse...

Maria,
Tenho de te ir ler...

E sim, todos temos os nossos dias, os nossos momentos. Aquelas horas em que só queremos é que nos salvem a nós e pronto. Mesmo que não haja nada a salvar.
Se nem connosco mesmos conseguimos algum tipo de ritmo que nos mantenha fundados e em sintonia com o "nós", como raio o fazemos com os outros? Hmmm?
Os outros, sacanas, haverão de ter os mesmos problemas que nós, né? É.
Periclitante, indeed!

Me disse...

Egoiste, Egoiste, Egoiste...
Não foi nada disso que eu disse...

Maria disse...

Não, não escrevi isso em "via pública", escrevi isso a alguém :)

Me disse...

Ahhh...
Vejo isso como duas pessoas que andam de braço dado: têm de andar lado a lado. Não há hipótese.
Nem de mão dada se tem de andar tão em sintonia.
Vejo mais ou menos assim.
E se escreveste isso a alguém, espero que tenham percebido.
:)

Me disse...

Oh, pá. Recebi o seguinte comentário de fonte anónima... Como não aparece aqui, aqui 'tá o mesmo directamente do e-mail aqui do tasco:

Um certo dia, há uns anos atrás, li um poema de um zarolho português que melhor, no meu ententer, define o Amor. Acreditei. Será, para mim, assim, fogo que arde sem se ver... Gosto do teu blog e admiro a consciência com que escreves.

Prontes.

Em resposta:
Anónimo,
Há quem diga que onde há fumo, há fogo. É possível provar o contrário...
Amor que não se veja? Que não se mostre? Vale de quê? Hmmm...
Obrigada pelo comentário e pelas simpáticas palavras.
:)

O Tarado disse...

@Me: exacto. Amar alguém de forma incondicional obriga-te a desligares-te de muita coisa. Do medo, da desconfiança, do egoismo, da razão, etc. Quando estes começam a entrar em cena, complicam o que devia ser simples.

Infelizmente precisamos destas coisas todas e mais algumas porque sem elas, não vemos a estrada. Encontrar um equilíbrio é muito difícil. Mesmo. E a culpa não é do amor. Esse é livre, eléctrico e totalmente rebelde na sua essência.

Me disse...

Tarado,
Tu, afinal, és um Romântico.
:)

Não sei se essa coisa do amor incondicional existe sem ser que seja por quem seja do nosso sangue, mas... admito que hajam amores tão fortes que nem que se queira, se consegue acabar com eles (mesmo que sejam os próprios a sabotá-lo...).

Acho que todos temos uma visão do amor. Todos temos aquela ideia do que é sentir, do que é ter alguém a sentir aquilo, o amor, por nós.
Na prática, claro, as coisas mudam de figura. Aí, predomina a própria vida e tudo quanto fazemos e não fazemos de modo a não perdermos esse amor, de modo a não sermos magoados. E isso, infelizmente, retira o foco.
Mas eu entendo o que queres dizer. Mesmo que já esteja aqui a desviar o assunto um cadito. Eu entendo.
Continuo a achar que és um romântico.
:P

Tcp disse...

Me

Eu acredito no amor.

Me disse...

TCP,

Eu também.