22.12.10

Imortais


imagem: google

Há uns tempos (curtos) atrás, tive o privilégio e honra de ouvir ser-me dedicada uma das coisas mais bonitas que alguma vez alguém me disse (em minha humilde opinião, claro está).
Disseram-me, em traços largos, o seguinte: As memórias são a força da vida. Tornaste-te imortal no meu coração, e nele vais viver para sempre.
Admito que, no momento em que o total significado de singela frase me aterrou no cérebro, senti o enorme peso da responsabilidade que me tinham acabado de atribuir. Para aquela pessoa, para ele, de ali em diante, eu faria parte das suas memórias, seria lembrada e pensada, existiria mesmo que não estivesse, seria sempre mesmo que nunca mais fosse.
Fiquei com uma certa falta de ar, com uma certa cara de parva. Fiquei como que meio paralisada perante tal realização, perante tal oferta de imortalidade, quase sem mais nem menos.
Passado o susto e devolvida a capacidade raciocinar, respondi a única coisa que podia e que sabia: Também tu és agora imortal em mim. Mas terei saudades tuas. Tal como acontece a todas as boas memórias que protegemos em nós, sentirei a tua falta e terei, para sempre, saudades tuas.   

Este pequeno episódio, nascido de uma estranha mas inevitável amizade daquelas que apenas muito raramente temos o privilégio de viver, fez-me reflectir sobre esta coisa das memórias e na forma como permitimos que as mesmas nasçam e vivam em nós.
Nem todas as pessoas na nossa vida são lembradas pelas melhores razões; nem todas são lembradas sequer. Mas há sempre aquele pequeno leque de pessoas que, para nós, nos enche os pensamentos e o tempo das recordações e dos desejos para o futuro.
Podendo até nem parecer algo de maior relevância ou importância para o dia-a-dia dos habituais afazeres e vivências, esta coisa de criar memórias é, de facto, o que passamos a vida a fazer aos outros e o que os outros passam a vida a fazer a nós. Tudo o que passou apenas poderá voltar a ser em estado de memória, de recordação, de lembrança. Todas as pessoas, todas as experiências, todos os sentimentos bons e maus ou assim-assim, tudo se transforma em algo que lembramos, ou não (“A memória é a melhor das artistas e erradica da nossa mente tudo quanto não seja necessário” -  Maurice Baring).


Não vos desejo um feliz natal. Muito menos um bom ano novo cheio daquelas coisas giras que os votos e desejos impessoais abarcam. Merecem mais do que isso.
Faço-vos antes um pedido.
Que, seja nos próximos dias, nas próximas semanas ou durante anos e anos, apenas construam e ajudem a construir boas memórias em vós e em todas as pessoas que vos enchem o coração.
Não é delas que a vida se vai construindo? Não é a elas que recorremos quando tudo dói ou tudo sorri?
Espero que esta época vos traga muitas e muitas oportunidades de partilhar todas as boas memórias que têm com quem as tenha ajudado a criar. E que sintam saudades, saudades daquelas mesmo boas de se sentir, sempre que o façam.

Aos Imortais que somos e que temos em nós.

Boas festas.

14 comentários:

Maria disse...

Saudades não, que fazem doer...nostalgia pode ser...

mas é bonito este conceito, quando as memórias de que nos enchem são igualmente bonitas...

isto é quase como o comunismo, é bonito mas não funciona...credo.

beijinhos

Alforreca disse...

Escreves tão bem que até chateia!!

Boas Festas.

EGOISTE disse...

Estou lavado em lágrimas.

Que idade tinha a pessoa em questão?

;)

Me disse...

Maria,
It has to hurt if it's to heal!
Saudades mesmo. Quais nostaligia! Saudades daquelas que se matam ou deixam viver por serem boas de sentir.
Hard core!

E funciona, sim. Experimenta.
Boas festas, 'pariga.

Me disse...

Alforreca!!!
O comentador residente mais esquivo de todos!
Olá!! :)

Escreves tão pouco e tão poucas vezes que até chateia!

Obrigada, Alforreca. Mesmo.
Boas festas!

Me disse...

Egoiste,
Não sejas totó, pá.
Quais lágrimas. HOMEM NÃO CHORA!!!

Que idade tem? Não tem. Pelo menos eu não lhe consigo atribuir nenhuma... E é essa que lhe fica bem.
:)

('Tou-te a ver...)

Boas festas, rapaz.
Mesmo boas.

K disse...

és linda *

Alforreca disse...

Considera-me como o teu leitor omnipresente!
:)

AR disse...

Pois é, o texto é mesmo bom. Não me importava de o ter escrito, confesso.

Haja gente assim, que percebe o que sente, que sente o que os outros não percebem e que escreve tudo isso de forma a que todos percebamos que, afinal, sentimos também aquilo que ainda não tinhamos percebido. Gosto!

Boas Festas!

Tcp disse...

Boas festas, Me!

Me disse...

K,
You too. Mesmo que sejas apenas um caroço de banana mal amanhado
:)
Beijo, Piquena.

Me disse...

Alforreca,
DONE!
:D

Me disse...

AR,
Oh, porra.
E o que respondo eu a isso?
Nada. Nada a não ser muito, muito, muito obrigada.
Deixas-me envergonhada mas infantilmente contente com essas palavras (ou seja, aos pulos de contente por dentro!)

Obrigada por estares por aqui.

Beijo de boas festas para ti.

Me disse...

TCP,
Boas festas, 'pariga!!!!