4.12.07

Memória Selectivamente Disfuncional

imagem: google
Tenho um enorme respeito por aqueles seres que conseguem passar metade da vida com caras de parvo a tentarem lembrar-se do que disseram, não disseram, fizeram, não fizeram, etc. Tenho um enorme respeito por esses seres porque, para além do esforço em manter a já referida cara de parvo (ou parva) conseguem também ter sempre um “atão mas eu não…?” na ponta de língua o que, bem vistas as coisas, não deve ser nada fácil. Tendo em conta a quantidade de palavras que conhecemos e usamos (em média, um adulto possui cerca de 2000 palavras no seu vocabulário às quais se recorre com maior ou menor frequência), estar constantemente a recorrer às mesmas deve equivaler a um esforço gigantesco em abolir as restantes da memória, qual Ctrl+Alt+Del cerebral. Esta coisa da memória selectivamente disfuncional (ou simplesmente má) é uma merda. Quando nos lembramos de alguma coisa que outra pessoa não se lembra, não temos forma de provar a veracidade dessa nossa memória. O contrário também é verdade, claro. Na minha terra, chama-se a isto “conversa de tonhós” pois não se chega a conclusão nenhuma, cada um fica com a sua boa ou má memória e pronto. Nada a fazer. Mas, porra que irrita como os cornos. A nossa memória funciona por associação. Lembramo-nos de coisas porque elas significam algo para nós e essas memórias podem ser desencadeadas por coisas simples. Sabiam que o olfacto é o maior e mais forte “desencadeador” de memórias que nós temos? Cheiros. Giro, não é? Todos nós já estivemos num sítio qualquer em que passa alguém com um perfume em particular e nós viramos imediatamente a cabeça, quase à espera de ver a tal outra pessoa que originalmente usava aquele cheirinho. Daí o pessoal não oferecer o mesmo perfume a duas namoradas ou namorados diferentes… Eu pelos menos não o faço… E espero que nunca o tenham feito comigo! Mas continuando, lembramo-nos de coisas porque conseguimos associar coisas à mesma. No básico, emoções… Claro. Todos nós nos lembramos de situações e assim que as mesmas nos vêm à cabeça, parece que voltamos atrás no tempo e voltamos a sentir o que sentimos na altura. Pode ser bom, pode ser mau, pode fazer com que cometamos asneira, pode prevenir asneira… É o que é. Daí haver gente com recaídas em relação a coisas que já fizeram no passado (seja o que for). A vontade de reproduzir aquele sentimento, aquela emoção, é demasiado grande para se ignorar e pimba. Às vezes sai bem, outras não. Pessoalmente, tenho uma memória quase fdp que às vezes apenas serve para chatear. Lembro-me de coisas que mais ninguém ou poucos se lembram, lembro-me de coisas com tanta intensidade (ficaram tão marcadas) que mal consigo evitar um sorriso (ou uma lágrima). Sou assim, o que é que hei-de fazer? No meio disto tudo, para além do respeito que tenho (como já expliquei) pelas pessoas que passam metade da vida a tentar lembrar-se do que andaram a fazer na outra metade, também tenho pena delas. Bolas. É a única coisa que se pode ter em relação a alguém na qual nada ou apenas muito pouco provoca emoção ou sentimento (ou pelo menos com intensidade suficiente para criar memória). Que vazios devem ser. Se não se lembram, é como se nunca tivessem estado, ou feito, ou sido. E, ao mesmo tempo, é como se estivessem a apagar a presença das outras pessoas das suas vidas. Não se lembram! E eu sei que não nos lembramos de tudo, mas porra, há gente que abusa. E quando é no trabalho… chiça punico! Com alguém fora do trabalho, brigamos e tal… tonhó prá frente, tonhó pra trás… e o pessoal ainda se pode rir um cadito. Mas no trabalho? Não há tonhó que aguente, oh pá. Não se esqueçam, lembrem-se das coisas, porra!

2 comentários:

MAFB disse...

Estou contigo! Acho que tenho memória selectiva disfuncional, ou seja, uma memória de merda, e tambem acho muito enervante. especialmente quando tou a falar com outra pessoa com o mesmo problema! Mas não sou vazia.

Me disse...

Pois... talvez não tenha utilizado bem a palavra "vazio". Hmmm...
É claro que estava a falar em relação a certas situações... daquelas assim de maior relevância... Dessas com certeza que a menina não se esquece
:)