16.4.11

Não. Porquê? Porque sim.


imagem: google

Não sei se da idade ou se do meu mau feitio ou se simplesmente dos calos que se vão ganhando de cada vez que se pega numa inchada e depois a largamos por outra, mas anda cá a parecer-me que algo me parece estar um pouco parecido com aquela coisa parecida com… ai, o que é que era mesmo?... ahhh, sim… Crescer e aparecer. E, parecendo que não, há momentos em que nos apercebemos que, afinal, tal até é possível e, surpresa das surpresas, não acontece apenas aos outros.
Tenho, ao que parece, uma incrível facilidade em dizer não ao que não me apetece dizer sim.
Grande coisa, dirão alguns. E sim, é uma grande coisa mesmo (digo eu).
Dizer que sim é, ao contrário do que possa parecer, incrivelmente simples. Colocam-nos uma questão, sugerem algo, seja lá o que for, e dizemos que sim, renegando pensamentos imediatos sobre as consequências desse sim para um afastadíssimo vigésimo plano (ou mais). Dizer sim é fácil e simples. No brainer. É só seguir a onda até à praia e esperar que não haja rochas pelo caminho.
Dizer não, por outro lado, é bem mais difícil. Um não tem de ser devidamente justificado, um sim, não. Um sim não tem de ser explicado ou refutado, discutido. Um não, na maior parte das vezes, tem de ser minuciosamente analisado e dissecado, não vá esse não representar um erro ainda maior que um sim.
Costumo dizer que só me arrependo do que não faço. Que, do que faço, em nada me posso arrepender por, naquele momento, ter tomado a decisão consciente de ir por aquele caminho. As consequências, quando más, podem-me levar a sentir que poderia ter pensado melhor, mas, arrependimento? Não. Não me iria trair assim dessa maneira. Do que não faço e me arrependo? Na maioria, oportunidades perdidas por não as ter visto, por não as ter equacionado, por ter tido receio… Penso, e agora que penso mesmo no assunto, que nem aí tenha algum tipo de arrependimento. Se, naquele momento, optei por não fazer algo, é porque na altura e com a informação que me estava disponível, essa me parecia ser a melhor coisa a fazer. Também não me iria trair assim dessa maneira, arrependendo-me só porque, afinal… Os “afinais” é que dão cabo disto tudo. Mas mantenho este dito... nem que seja por uma questão de prevenção...
Mas, e tendo por base que me tenho apercebido de uma elevada facilidade em dizer que não a certas coisas e nem pensar mais nos assuntos, acho que finalmente consigo afirmar que, com isto tudo, o que tenho feito é dizer o tal assustador sim a mim mesma. Saber, quase instintivamente, o que aceitar para mim em prol de mim e da minha paz de espírito e conseguir discernir entre os sim que dizemos porque não? e os não que dizemos porque sim, é algo que, apesar dos apesares, demora tempo a conseguir, a confiar, a ser capaz de fazer sem sentirmos aquele batuque no estômago que nos avisa de possíveis problemas com decisão tomada. 
Não sou inconsequente, também costumo dizer. E ainda que isto possa ter vários níveis de aplicação, a minha não inconsequência leva-me a nem me dar ao trabalho de olhar para algo mais do que uma vez se, à primeira, sentir que dali não poderá advir nada de bom ou proveitoso para mim e para o meu futuro. Egoísmo? Não. Egoísmo seria olhar e olhar e olhar e olhar até... 
E é o que tenho feito. Estar muito quietinha, muito sossegada, muito pacientemente à espera que os meus nãos arranjem razão para se transformarem em sins. Não arrisco o meu lugar à sombra por lugar melhor ao sol se souber, no fundo de mim, que o melhor que daí poderia retirar é um belo bronze.
E gostava que houvesse mais gente que não fosse inconsequente, que pensasse mais e melhor nas opções que toma hoje, tendo sempre em vista a forma como as vão ver no amanhã.
Gostava que houvesse mais pessoas com respeito por elas próprias. Que fossem boas para elas próprias. Que fossem amigas delas próprias. Que se gostassem e adorassem a elas próprias. 
Gostava. Mas isso parece-me, ou quer parecer-me, ser algo a que se diz um grande sim, mas depois, na prática, é tudo um enorme não.
Gostava. 

12 comentários:

O Tarado disse...

O problema direi é que a maior parte das pessoas que dizem sim, sem pensarem muito no assunto, dizem-no porque se disserem não partem do principio que irão ser julgadas não por terem dito não, mas por não terem a capacidade de o justificar devidamente. Então, e porque dizer não, como dizes e bem, requer alguma capacidade de negociação ou argumentação, as pessoas optam pela via mais simples. Dizem sim. Depois de dizer sim, se houver consequências, estas serão tratadas em devida altura e muitas vezes com a devida desculpa de que não se disse não porque o sim era o que a outra pessoa queria.

Não é fácil dizer não... é mais fácil dizer sim, ser politicamente correcto, e depois lidar com as consequências... ou fugir delas de forma mais ou menos estratégica.

Alforreca disse...

Concordo, o meu problema é que estou constantemente a trair-me.

Maria disse...

Psttt continuo a ler-te sempre...mas sem espírito de comentar. Não, não me é nada fácil dizer não quando sentimentos estão envolvidos

ah beijos :)

Me disse...

Tarado,
Isso mesmo.
E não, não é fácil dizer que não. Especialmente quando o querer algo nos faz esquecer os deveres e poderes... Mas, como o querer não tem nada a ver com o resto... Digo eu...
Mas, sim. É isso mesmo que estava a tentar dizer.

Me disse...

Alforreca,
Dizes demasiados sins ou demasiados nãos?

Me disse...

Maria,
Eu sei, nina. Tal como eu a ti :)
Não é fácil dizer que não quando os sentimentos estão envolvidos? Então, mas não é precisamente aí que É mais fácil? Se souberes que o barco vai encalhar e ir ao fundo, sobes a bordo? Hmmmm...
Mas, pelo contrário, também é fácil dizer que não quando os sentimentos NÃO estão envolvidos? Subir a bordo de um barco que vai ficar em terra? Hmmm...
Vês? Not easy!!! Foda-se. Not easy!!!

Alforreca disse...

Demasiados sins.

Me disse...

Alforreca,
Se forem em prol de ti, força nisso...

francisco disse...

....o que interessa, no final de contas, é que o SLB levou, de novo, na tarraqueta! e mai'nada.

weeeeeeeeeeeeeeeeeeee.....

Me disse...

Quicas, Quicas, Quicas... para quem não tem asas... Mau, mau...
(alguém sabe como se proíbem certos IPs de virem ao estaminé????? Hmmmm?)

Anónimo disse...

"Enchada"

Me disse...

Nem uma coisa nem outra... enxada.
Eu tenho a desculpa da merda do word que corrige automaticamente... e tu?