11.9.09
Não faz mal!!
7.9.09
Independência a quanto obrigas.
imagem: google
Semana passada:
Eu – Sábado tenho um casamento…uuurggggg…
Boss – Vai-se casar?
Eu – ‘Tá a ver? É assim que se começam os boatos… tenho um casamento que não o meu.
Boss – Ahhh! Mas você devia casar. Casar e constituir família. É a melhor coisa do mundo!
Eu – E eu lá preciso de casar para constituir família…
Boss – Olha… mais uma Produtora Independente…
Eu – Hahahahahahahah!!! HAHEHAHEHAHEHA!!!
Boss – Casar é bom! Família é bom! Filhos é bom!
Eu – Sim, chefe! Ordem recebida!!
Boss – Vá-se lá embora. Cumprimentos ao Reprodutor.
Eu (em pensamento) – Foda-se!!!!
E vocês acham que EU sou mázinha.
Sem comentários.
3.9.09
Não ouvi…
imagem: google
O meu Sr. Mr. Gajo tem a firme convicção que as mulheres portuguesas são as únicas que não sabem aceitar um elogio ou um simples piropo (dos decentes).
Diz ele (por experiência, certamente…) que, por exemplo, em Espanha, pode-se dizer “És mui linda/bonita/grossa/whatever” a uma Espanhuela que ela ri-se, sorri e agradece, ficando a coisa por aí (Porra. Dos Espanhóis aceita-se muito bem qualquer elogio. Já lá estive. Já me comunicaram certas opiniões. Eu também não respondi mal! Deve ser da língua… o Espanhol deve ser mais propenso ao elogio rolado que escorrega da boca e cai directamente no goto… cabrões).
Cá, os comentadores levam com um “Vai-ta foder, pá. Vai mazé pó caralho, oh xtúpido!” pelas trombas e ainda se arriscam a palmada nas fuças. Isto ou o belíssimo “Tenho namorado”, atirado ao infractor incauto com ar de lamento ou de superioridade como forma de lhe calar a boca (a ele) e de fechar as pernas (a ela).
Contra estas coisas há sempre o que responder, diz Sr. Mr. Gajo. Diz que basta dizer algo do tipo: “Foda-se, ‘tava só a dizer que te achava gira e não que queria ir foder contigo. Convencida de merda!” e pronto. Amor com amor se paga e perante este tipo de comentário, qual é a gaja que ainda se vai meter a responder feita totó? É daquelas situações parvas e idiotas que não estamos programadas para resolver.
Eu tenho de concordar e discordar com ele.
Desde pequenas que passamos a vida a ouvir que mulher séria não tem ouvidos e o raio que o parta. Passamos a vida a ouvir que os rapazinhos só querem uma coisa e que fazem e dizem o que for preciso para a conseguir. É claro que nós cagamos de alto nestes conselhos e depois, um dia mais tarde, aprendemos da pior forma possível que de facto mulher “séria” tem de, vira na volta, fingir surdez-mudez-ceguez para poder andar à vontade (porque, se não, a resposta que por vezes certas amibas andantes merecem seria tão desastrosamente mal educada que quem ficaria mal vista seria a gaja e não o deturpado mental que tece comentários sobre o tamanho de partes corporais e o que faria com certos e determinados orifícios caso lhe permitissem). E depois há sempre aqueles seres superiores que mandam piropo e que, caso olhemos/ouçamos/reajamos, nem que seja com farpas a sair em rajada dos olhos, ainda levam a coisa como sendo uma abévia que lhes permite dizer outras coisas mais inteligentes como “Gostaste não foi, minha vaca? Pois, mas agora não levas nada!”. Não há pachorra.
Se nós, as gajas Portuguesas, não sabemos aceitar um elogio ou um piropo dito apenas numa de emitir opinião, então eu não consigo, sinceramente, atribuir a culpa disso apenas às nossas cabecinhas (mesmo que, em última análise, se possa argumentar que ninguém lhes perguntou nada, há sempre a possibilidade de se ouvir aquilo que eu própria um dia ouvi de boca – suja – de gaja – parvacomámerda – quando a apanhei a ser verbalmente menos simpática em relação à minha pessoa e lhe disse que não era surda – que saudades do oitavo ano -: “Ouviste porque quiseste”).
Os gajos (Portugueses, visto não ter grande experiência além fronteiras) também têm a sua quota de culpa, sendo que décadas a emitir ruídos estranhos, a fazer caretas esquisitas e a dizer palavras pouco apropriadas e de origem dúbia levaram a que nós, serias q.b e quando necessário (algumas…), nos tenhamos transformado em seres alérgicos a esse tipo de coisa.
Da minha parte, tento não ser assim muito parvinha nestas situações, quando lá acontecem (repito, tento). Se não me agradar (lá está uma pequena nuance digna de pelo menos 20 comentários ao post) ou se for ofensivo ou ambos, faço de conta que nem ouvi. Por vezes, mesmo que me agrade e não seja assim lá muito ofensivo, também faço de conta que não ouvi. Se a coisa for bem feita, posso até sorrir ligeiramente, em jeito de reconhecimento em como ouvi e pronto. E depois há os que são tão bem feitos que não há remédio se não sorrir mesmo e entregar o ouro ao bandido, deixando-o ver que teve o desejado efeito: um simples sorriso que, provavelmente, quebrará os icebergues mentais que nós gajas carregamos como se vivêssemos num deserto permanente (quer dizer, há quem assim viva... não discriminemos).
Os Homens deviam tentar recuperar esta arte e as Mulheres deviam tentar, pelo menos, não ser umas autênticas cabras em relação ao assunto (desde que os homens não sejam uns porcos…). E quem sabe? Talvez um dia as mulheres possam passar para o outro lado da barreira e dar uns pequenos passos neste campo? (Eu, uma vez, fi-lo a sério, mas só isso daria novo post e agora não me apetece).
Vem isto a propósito de na semana passada, enquanto me dirigia ao meu bólide para me ir embora do trabalho, ter cruzado caminho com rapaz que, a aí uns 3 metros de mim me disse “Olá, bonita!”, sorrindo de forma simpática e expectante. Eu continuei caminho, segura de que os meus óculos escuros não lhe permitiriam ver que o estava a olhar directamente nos olhos, e nada disse. Disse ele: “Ai não respondes? Então és feia!”.
Pois sou. Pois somos. Todos. Somos todos uns feios.
Vivá beleza e a “poesia” que a descreve, foda-se! (mas com jeitinho, vá).
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