14.4.12

Já que estamos numa de segredos…

imagem: google 


Vou-vos confessar uma coisa. Shhhhh…
Eu tenho um mau feitio do caraças e há uma coisa que ainda não me consigo impedir de fazer a tempo de não a fazer... Ora, aqui vai.
Às vezes, quando vejo gente assim muito mal engendrada e mal-amanhada do cérebro e, no essencial, totó (nos dias bons), fico sempre admiradíssima com o facto de conseguirem arranjar alguém com quem casar e ter filhos, de terem emprego bom e uma data de outras coisas que não vale a pena mencionar. Olho estas pessoas, homens ou mulheres, e, de boca aberta e de olhos arregalados de genuíno espanto, só consigo pensar na espécie de injustiça que a vida pode ser e em como a ignorância, por vezes, é mesmo o melhor remédio.
Admiro as pessoas que, porque sim, fazem exactamente o que se espera que façam na vida, cumprindo à risca com todas as actividades e tarefas que lhes cabem em sorte, e que, ainda por cima, são felizes! Nunca tiveram de perguntar nada a ninguém, apenas cumprir com o que lhes era dado para cumprir e, talvez por isso, andam por aí todas felizes por estarem contentes!
Tenho uma espécie de inveja semi-macabra em relação a pessoas assim. Fazem tudo o que é suposto fazerem, sem questionarem, acreditando piamente que a coisa é por ali, e vivem felizes e contentes como se tudo aquilo tivesse sido inventado e criado por eles.
Por norma, é deste tipo de pessoa que ouço pérolas do tipo “Pois, com esse cabelo curtinho, um carro à gajo e essa mania de seres bruta, é claro que não tens marido, nem filhos, nem trabalho! Deixa crescer o cabelo ao menos! Tu até és gira!”.
E eu, que devia ser que nem eles e acarretar com este conselho de vida e torna-lo missão de vida, vejo-me, de novo, de boca aberta e olhos arregalados, sem saber o que dizer mas na mesma cheia de inveja daquele processo mental que levou àquela lógica tão simples mas tão simples, tão simples, que, seguindo-a, todos os meus problemas seriam resolvidos.
Respondo com um “Oh, foda-se”, passo os dedos pela nuca quase rapada (pente um ou dois, depende…), pego nas chaves do meu Brutus e vou-me embora para casa remoer a minha inveja e falta de capacidade para integrar certos conceitos (de birra, pronto).
E aí têm um segredo. Fico abismadamente parva (e invejosa) com gente totó de sucesso. É mais forte que eu.
Shhhh…… 
E os vossos? Contem. Vá lá... Eu não digo a ninguém...

E se? Mas…

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Doem.
Os se’s fundados em laivos de verdade tão ténues que, logo de seguida, dão origem a meia-dúzia de mas histéricos inventados para minimizar o peso desses mesmos se’s quase tão verdadeiros como a própria verdade.
Criamos se’s para esconder a verdade de nós próprios ou para intensificar a mentira que lhes deu vida? Um se mente ou diz a verdade? Ou apenas divaga e questiona, simulando cenários, activando a imaginação, soprando vida para dentro de desejos reprimidos e inadmissíveis, cobrando decisões apressadas ou impensadas, colocando em causa razões de ser e motivações? Os se’s fazem sentido do que foi feito ou do que não foi feito?
Um se tenta sempre alterar uma realidade, seja ela verdade ou não. É o “suponhamos que” mais forte que existe, que mais faz sofrer, pensar, sonhar, fantasiar e, também, que mais ensina.
Os se’s são terreno seguro, especialmente quando têm por base o já acontecido, o verificável, o que sucedeu. Os se’s sossegam porque há sempre uma saída para as torrentes invasoras dos mesmos – a realidade. Essa é que é o que é. Sem se’s. Talvez e apenas mas atrás de mas atrás de mas que tão desesperadamente tentam explicar e justificar os seus recantos mais escuros ou facetas mais brilhantes, mas nada de se’s.
A realidade não é amiga da verdade. Há a amiga mentira que dá sempre uma mãozinha na sua construção. Daí os se’s lhes caírem em cima em catadupa. A verdade, ou verdades, vêm com os se’s, com os arrependimentos ou rasgos de lucidez (mesma coisa, no fundo) que os obrigam a ser moídos e remoídos até à exaustão.
Os se’s fodem tudo. Especialmente se não forem pensados, moídos e remoídos antes de se verificar uma qualquer realidade sem verdade. Fodem tudo. 

11.4.12

Secrets.

Segredos. Dos mais engraçados, aos mais bonitos. Para sorrir e ficar de lágrima ao canto do olho logo de seguida. Muito bonito. 


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