Após súbito ataque de mau feitio por andar farta daquelas merdas sem jeito que a malta dedica uns aos outros no FB com imagens de gatinhos e flores e o raio que o parta com dizeres daqueles meio parvos, criei a minha própria colecção de imagens para auxiliar quem ainda não encontrou bem-bem-bem o que usar.
É a colecção "Amor é...".
Keep it real, people! Foda-se!
Para breve, colecção "Amizade é...".
E pronto!
24.1.12
III Desafio... C'um caraças. Porra, pá.
O III Desafio? Dar a notícia da minha própria morte.
Após várias tentativas, deu nisto. E não se fala mais na coisa. Muito menos na minha!
"Viveu a vida como quem aceita um desafio. Não daqueles em
que o primeiro prémio obriga a feitos sobre-humanos para o alcançar, mas sim
daqueles em que a maior glória se atinge participando, agindo, estando presente
e nunca desistindo nos dias seguintes a grandes derrotas ou grandes sucessos.
Aos filhos deixa o legado da Capacidade: a de saber viver
bem tudo quanto a vida lhes possa dar ou arrancar das mãos sem aviso; a de se
saberem mais e melhores do que alguma vez possam temer não ser e a de saberem
sentir, em pleno, a presença de todas as pessoas que os amam e querem bem,
venham elas de onde vierem.
Aos amores que teve, em especial ao que coroou a sua vida
dando-lhe a tranquilidade e paz tão desejadas, deixa a certeza de terem sido
amados, mesmo que nem sempre tenha conseguido mostrar todo o amor que tinha da
forma ou no momento certos.
À família, de sangue ou não, deixa um infindável
agradecimento por ter podido dizer-se deles pertencer.
Na sua lápide inscreve-se o que pensou poderem ser as
palavras que melhor aguentassem a fadiga do tempo.
“Através das memórias, a vida vive-se de novo. Em cada
lembrança, amamos de novo. E de novo. E de novo.
Que a vida vos continue, a todos, na certeza de que vos
inspirei como se fossem o meu ar, vos abracei como se fossem a minha salvação,
que vos amei de coração cheio de vontade de vos ter sempre para e em mim.
Em vós vivi.
Em vós vivo.
Vivi.”
Haverá momento de despedida para família e amigos de hoje
a dois dias no cemitério local.
Ela faleceu hoje.
Ela faleceu."
18.1.12
Corridinho Dela - II Desafio Escrita Online
imagem: google
E eis a resposta ao II Desafio do Escrita Online.
Agradeço as vossas sugestões mas... Mas!
E pronto!
"O Corridinho que lhe saía do corpo deixava-me deliciada
(e algo invejosa, admito). Quando a via a rodopiar que nem uma boneca de trapo,
agarrada ao seu par que, agarrado a ela, também rodopiava mas sem o alarido da
saia que esvoaçava e da perna alçada e entrelaçada numa das dele, ameaçando de
queda a qualquer momento aquele par que se ia atirando palco fora como se
aqueles movimentos fossem a coisa mais natural deste mundo, ficava deliciada. E invejosa.
Do meu grupo dos “pequenos” via os “grandes” a dançar e a
mostrar o que nós um dia também poderíamos fazer se não nos aborrecêssemos com
aquilo até lá.
Queria fazer aquilo que nem ela. Com aquela elegância,
com aquela rapidez, com a segurança que era saber-me agarrada e bem agarrada para
não levantar voo em direcção à assistência ali tão perto.
Eu era dançarina de rancho, de tamancos e braços no ar,
de lenço na cabeça e avental ao colo. Eu perdia o calçado e o lenço. As meias
caíam e os braços enfraqueciam. As pernas tropeçavam e havia sempre alguém fora
de ritmo que atrapalhava os restantes esforçados artistas da dança tradicional
portuguesa.
Por entre Viras e Chulas, havia o Corridinho. Era o que
mais adorava ver e mais almejava ter a honra de aprender e dançar.
Lembro-me de ver aquilo tudo à minha volta, de estar no
meio daquilo tudo e sentir uma espécie de pena por quem não sabia o que aquilo
era. Não pela manutenção das tradições portuguesas em terras estrangeiras, mas
pela sensação de estar inserida numa engrenagem tão bem afinada e polida que
bastava um olhares para se saber qual a música que se seguia, quais os passos
que se davam. Tudo.
Hoje em dia, vejo bailados, por exemplo, e fico
estarrecida com o que o corpo humano pode fazer quando devidamente sintonizado.
Beleza que transborda o peito e quase que cerra os olhos, não vá aquela
sensação viciar-nos para todo o sempre.
Eu era dançarina de tamanco, de tombos por palcos de
tábuas mal pregadas, de puxões e empurrões para guiar os mais pequenos na
direcção certa, de camisas suadas e braços doridos, de lenços perdidos e meias
rasgadas.
Sentia-me a maior do mundo ali naquele mundo barulhento, desafinado,
em que o Corridinho acelerava pernas e cortava a respiração de todos quanto o
viam sair Dela, e Dele.
A maior."
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