imagem: google (José María Manzanares)
Há uns tempos atrás, insistiram comigo para que eu explicasse o porquê de as mulheres gostarem (as que gostam, claro) de ir ver corridas de touros.
Eu bem que tentei não falar muito e não ter que proferir certas palavras que pudessem ferir susceptibilidades… Eu bem tentei, mas insistiam tanto e empurraram-me tantas vezes o copo para a frente que eu, imbuída de Sagres (Olé!) e de boa fé em toda a humanidade, lá tive que partilhar aquilo que poucas ou nenhumas mulheres alguma vez admitiriam sob pena de nunca mais lhes ser permitido meter vista em cima de homens que se vestem com roupas muito justas e que… Pronto. Eu lá expliquei.
- Sexo. Tem a ver com sexo, explodi, não conseguindo conter mais o segredo.
José María Manzanares
Conviva informou-me que já sabia (pois, pois…) disso e que entendia perfeitamente.
Caca de boi. Caca de boi!
Procedi com explicativo, ignorando ar sábio (armado em esperto!) de conviva que tinha colocado questão.
Expliquei que tinha a ver com atitude e que não havia mulher nenhuma que, vendo a forma como os toureiros se mexem, como olham, como se param em certos momentos, que fosse capaz de ficar indiferente e de não imaginar logo o exemplar em ambiente mais íntimo, digamos.
Aquilo é sexo. Quer-se lá saber do touro ou da faena ou se a merda do ferro ficou bem posicionado ou se a verónica ficou bem feita ou se o par de bandarilhas ficou lá ou não… Só se vê é olhares, movimentos, mãos que acariciam o capote, a muleta, as rédeas… Só se vê é caras cheias de expressão e corpos que ondulam e se mexem ao ritmo do andamento do touro ou do cavalo. Só se vêem é costas muito direitinhas e queixos muito encostados ao peito enquanto os olhos fixam, de forma quase mágica, o alvo. Não se vê touro nenhum (até o profissional levar cornada e aí rapidamente nos lembramos que existe lá bichano de quinhentos quilos que, num instante, pode acabar com visões tão prazeirosas…).
José María Manzanares
Não é, para mim, por uma questão de masculinidade, de poder, de coragem. Nem é uma de beleza física (e agora peço desculpa, mas eu juro que não fui capaz de encontrar mais fotos nenhumas de outros toureiros que não estes… cabrão do Google… estamos a ser invadidos pelos espanhóis!!). É aquela merda daquela atitude (e que, desculpem-me novamente, os espanhóis exemplificam de uma forma tecnicamente muito mais correcta que os produtos nacionais…). É o olhar. A forma como levantam os braços e mexem os dedos, como mexem as pernas e dão aqueles passos tão bem definidos e cuidados, pensados. Os jeitos que dão à boca. É toda aquela envolvência que criam numa situação com todo o potencial para ser desastrosa mas que, miraculosamente, quase que conseguimos esquecer. E isto vale tanto para os toureiros a pé como para os a cavalo.
Sergio Galan
Não há mulher nenhuma que veja um homem neste tipo de preparos e que não se imagine logo a ser ela o alvo de tais olhares, de tais movimentos, de tais fôlegos e ondulações de corpo. Não há. E pode ser a maior aficcionada do mundo e adorar touros e cavalos e ser capaz de opinar quanto a todos os pontos técnicos de uma lide (que é o que eu gosto mesmo, mesmo, mesmo nas corridas… opinar sobre estas coisas…). Pode até saber a lenga-lenga toda daquela balhana toda e envolver-se em acesas discussões quanto à bravura de uma casta ou à aptidão de determinado praticante (como eu, que consigo ver tudo ao mais ínfimo pormenor, esquecendo-me quase por completo de outros pormenores que não touro, muleta e cavalo), mas porra, as espanholas não andam lá de leque pronto a abanar por nada…
Sergio Galan
Por isso, Mulheres, aproveitem que estamos em início de época e se nunca experimentaram tais coisas… Dêem lá uma oportunidade à coisa, ‘tá?
Vá por usted!






