18.11.09

I'm going home

imagem: google
Sabem que mais? Em relação ao tema da Igualdade entre Homens e Mulheres, fiquem com a mensagem da imagem acima (quem quiser, claro… quem não quiser que esteja à vontade). I’m going home… E não vou tomar uma posição tão extrema como aquele casal na Suécia que escondeu o sexo do filho/filha de os amigos (apenas familiares e amigos mais próximos sabiam…) para que a criança não crescesse tendo por referência estereótipos de género e afins. Também não é preciso tanto (para mim, não). Defendo que as diferenças devem ser celebradas de modo a que possam ser aceites e dignificadas, não utilizadas como armas de discriminação negativa, deitando abaixo quem calhar ficar na parte mais difícil da coisa. É preciso discriminar positivamente de modo a ganharmos algum tipo de equilíbrio nas coisas. Acredito que Homens e Mulheres têm de ter igual acesso a tudo quanto seja direito consagrado pura e simplesmente por todos nascermos seres humanos e sei perfeitamente que por enquanto ainda existe muita discriminação para com as mulheres e para com os homens em relação a precisamente este acesso a direitos. Ao nível das obrigações, cada um aceita as que achar que deve e não refila. Temos pena. Acredito que as mulheres, no geral, têm feito uma bela merda de trabalho em relação a este assunto, assumindo que para haver igualdade, têm de ser iguais aos homens. Não é verdade. Os homens também têm culpa neste campo. Elogiam mais as mulheres que têm atitudes tipicamente “masculinas”, descrevendo-as como sendo mais fortes e inteligentes do que o restante mulherio. Alimentam a coisa… Acredito que os homens, no meio desta merda toda, também têm sofrido com estas coisas, deixando de saber muito bem em que lugar se devem colocar. As mulheres tanto querem a besta abrutalhada que as encosta à parede e lhes mostra exactamente o que querem como a alma sensível que chora durante os filmes românticos. Os homens andam todos baralhados, sendo que as mulheres independentes lhes atrofiam a cabeça porque ficam a pensar que não se precisa deles e as que não o são deviam ser porque estamos no século XXI e a dependência e afins eram coisas do antigamente. Aquilo que se “pedia” a um homem há uns anos atrás não é a mesma coisa que se pede hoje e nem sequer se deu tempo para se adaptarem. As mulheres, numa de evidenciar a masculinidade que reside em todas as boas fêmeas, agarraram-se a princípios machos e, numa clara missão de serem mais filhas da puta que o próximo, exacerbaram o masculino, espetaram-lhe com um par de saltos altos em cima e chamam-lhe “Sucesso” enquanto fazem questão de andar com decotes até ao umbigo, insultando a inteligência dos homens e restantes mulheres que acham que não é por aí. Admitamos, de uma vez por todas, que ninguém sabe andar nesta merda e que as mulheres são as que mais têm a perder com toda a perdição em torno do “se eles podem, nós também podemos”. Ainda que isto não deixe de ser verdade, enquanto as mulheres se continuarem a avaliar por padrões masculinos, tornando-os no ideal, nada vai mudar. Apenas se reforça. As mulheres têm medo de ser mulheres de direito próprio e os homens até já têm medo de dizer que nos preferem ver de saias porque isso seria sexista, quanto mais serem tudo aquilo que acham que podem ser (para o bem e para o mal). Deixemo-nos das merdas de discursos que vitimizam, que desculpabilizam, que retiram a responsabilidade de cima dos ombros de cada um. A mudança destas coisas começa em cada um de nós, se assim o quisermos. Quem viver bem com o que tem, faça favor de ser feliz. Mas não me lixem a cabeça com merdas sem jeito, com argumentos sem nexo e muito menos me venham para aqui dizer que me sinto inferior às outras mulheres porque me acho menos inteligente ou com menos beleza como modo de contrapor esta minha visão das coisas. Com as vossas inseguranças posso eu muito bem.
Lamento informar, mas é preciso um pouco mais que bom raciocínio e um belo par de mamas para me fazerem sentir inferior a seja quem for. Cresçam e apareçam. I’m going home.

14.11.09

Eu sei que sei uma coisa que sei e que já sabia

imagem: google
Eu sei uma coisa muito boa de saber mas que tive de descobrir da pior forma possível mas depois quando a soube e admiti que sabia foi muito bom porque parece que tudo ficou mais leve e mais claro e mais fresco e agora apetece-me dizer a toda a gente e apetece-me gritar o que sei mas não posso porque eu sou uma senhora (foda-se!) e as senhoras não andam para aí aos gritos a gritar as coisas que sabem ou deixam de saber e de qualquer das formas nunca o faria porque vocês não têm nada a ver com isso por isso escusam de estar com merdas armados em cuscos que eu não me vou descoser ainda que me apeteça muito porque aquilo que eu agora sei é muito bom de saber e melhor mesmo só quando contar a quem também tiver de saber aquilo que sei. Mas isso são outras conversas. E não foi nada fácil eu ficar a saber o que sei porque tive de falar muito comigo e chatear-me muito a mona e é claro que ajudou ter levado na cabeça para me porem no lugar mas isso até fui eu que pedi que sou completamente apologista daquela coisa da automedicação, mas pronto, lá fui falando e conversando até saber o que sei e até descobrir que há coisas que quando se sabem, são mesmo boas de saber e que pronto enfim é bom e pronto. Resumindo, saber não ocupa lugar. Muito pelo contrário, cria-o. E aquilo que sei pode até nem servir de nada, ou então de muito pouco, mas pelo menos sei e saber que sei já é meio caminho andado para servir de muito. Tenho dito. Quer dizer, tenho sabido. Bom fim-de-semana, minha gente. Bom fim-de-semana.

10.11.09

Igualdade a quanto obrigas...

imagem: google O timing não podia ser melhor. Os temas também não. O grupo? Pronto… não o pude escolher… A formadora é do melhor que há (Me!). Sim, minha gente, eu estou novamente a dar formação (interna) sobre Igualdade de Género e de Oportunidades entre Homens e Mulheres. Eu. A feminista-anti-feminista-radical. A que cospe veneno contra as mulheres e tenta atenuar o sentimento de culpa que quase que obrigo os homens (coitados) a ter. Faz parte (eles gostam). Os meus ricos colegas andam a levar comigo a vociferar impropérios contra a sociedade, cultura e costumes, mandando vir com as mulheres e condenando as atitudes machistas à morte (cravos e ferraduras…). Já matei a publicidade no geral e a Toys ‘r’ Us no particular, já enterrei os filmes Disney e já fiz o funeral às piadas que se baseiam nas tipificações e estereótipos com base no género. Já explodi contra ideias retrógradas e já me ri com aquilo que as novas gerações consideram mais correcto. Já tomei a posição de acusar e a de vítima. Eu, a única mulher na sala, em frente a um grupo de 7 homens, falando de sexo (não do acto, claro…), género e afins enquanto passo resmas e resmas de slides com imagens reais do mundo que nos rodeia, enquanto mostro definições de dicionário de palavras que todos achavam conhecer bem o significado. Agora só falta eu acreditar mesmo que tais coisas sejam mesmo possíveis, seja em casa, seja no trabalho, seja onde for. No meio disto tudo, descobri que o mulherio tem um novo problema. E não é pequeno. Há por aí uma nova geração de homem que entende que não lhes cai um testículo se por acaso fizerem o jantar ou ajudarem a limpar o pó. Há uma nova geração de homem que não atribui às mulheres a responsabilidade de certas tarefas, assumindo eles apenas o papel de ajudante. Há uma nova geração de homem que sabe que não há mal nenhum em se mostrarem menos machos. Minhas Senhoras, estamos fodidas. Há aí uma nova geração de homem que finalmente percebeu que tem mais a ganhar em ser menos “homem”. Que aprendeu que nós ficamos todas caidinhas por homens capazes de coisas dantes apenas sonhadas por nós, apenas conversadas e desejadas nas idas em grupo às casas de banho de bares e discotecas. Há aí uma nova geração de homem disponível para nos ouvir, para falar, para saber dobrar meias, para abraçar e ajudar a escolher botas. Estamos fodidas. A única coisa que ainda me dá algum tipo de alento é saber que nós conseguimos ser tão estúpidas para quem nos quer bem quanto os homens. Talvez acabemos por conseguir matar esta estirpe masculina pós-moderna armada aos cucos para não corrermos o risco de vermos salários iguais em trabalho igual, de vermos a roupa apanhada quando chegamos a casa ou de não ouvirmos risota quando achamos que o carro está a fazer um barulho estranho. Era o que faltava!! As mulheres são as educadoras da humanidade. Mas agora há por aí um qualquer movimento composto por rebeldes cheios de causas que contrariam o que lhes vai sendo incutido e mostrado como sendo o “normal” para depois nos despirem de argumentos e de razão quando gritamos “és mesmo homem!!” respondendo logo com um orgulhoso “não sou nada!!!!”. Minhas Senhoras, o tempo é de luta! Vale tudo! Eles andam aí!!!! Todo o cuidado é pouco!!! Mulheres, às armas que estamos em guerra!!! Eu definitivamente não sou a melhor pessoa para dar este tipo de formação. Mas eles, ao que parece, estão a gostar. Vá-se lá perceber.