10.7.12

Prémio para 1º Lugar - Quero um Engate só para Me

imagem: google 
Para o vencedor do "Quero um engate só para Me", um engate resposta, qual despique.
Emanuel, parabéns. 


Sendo agradável à vista e suave nos restantes sentidos, aproximar-me-ia de ti, devagarinho, como quem não quer a coisa, mas querendo-a, ansiando-a até, mas nunca revelando-te tal facto.
Aproximar-me-ia, devagarinho, tentando, de alguma forma, captar um pouco do ar que te tenha passado por cima, por entre a roupa, junto ao peito, pescoço… fosse de onde fosse, para poder respirar e inspirar-te, saber-te pelo cheiro, pela reacção provocada em mim. Depois, devidamente inspirado, respirado, tomaria em atenção outros pormenores. As mãos… Conseguiria imaginá-las a percorrerem-me o corpo? A agarrarem-me? A puxarem-me contra o teu peito? Seria capaz? Calma… Sim, conseguiria. Calma…
Os teus olhos receberiam especial atenção logo de seguida. Inquisitivos ou nervosos? Atentos ou dispersos? Suaves e gentis ou duros e perscrutadores? Iriam perceber que te olhava de forma tão intensa ou nem dariam pela minha presença ali tão perto?
A boca. Carnuda e voluptuosa ou de lábios finos e envergonhados? Conseguiria imaginá-los a dizerem o meu nome? A chamarem-me? A aproximarem-se para… Calma. Calma. Conseguiria. Sem calma.
Não diria uma única palavra. Ficaria ali, pacientemente paciente, à espera que desses por mim, que me olhasses e entendesses que, se ali estava, era porque já tinha visto tudo o que precisava ver para poder passar a começar a saber o resto, o que interessa saber.
E darias por mim. Olharias. Muito. E irias querer falar mas não te deixaria. Irias querer estragar o momento perguntando-me o meu nome ou cumprimentando-me. Não. Shhhh… Levaria a mão até à tua boca, tapando-a suavemente enquanto te sorria com o olhar. Tocar-te-ia nos lábios, sentindo neles as certezas que os olhos já me tinham garantido.
E ali ficaríamos durante longos minutos, apenas olhando e tentando decifrar cada inflexão do olhar, cada movimento, cada respirar mais fundo, cada semicerrar dos olhos.
Depois de nos entendermos neste silêncio em que tudo é dito e deixado por dizer, aproximava-me de ti, encostando-me, enterrando a cara no teu pescoço, respirando-te de perto, lutando contra a vontade de abrir a boca junto da tua pele para te saborear. Resistindo com todo o meu ser para não te provar logo ali, sem mais nem menos.
E tu, percebendo e sentindo o mesmo, porias uma mão na minha anca e puxar-me-ias para junto de ti, obrigando-me a respirar-te ainda mais fundo. Não falarias. Nem eu falaria.
Não iria haver necessidade disso.
Viravas-me ao contrário, aninhando-me de costas em ti e levar-me-ias dali, guiando os meus passos com os teus. Encostarias a tua boca ao meu pescoço, respirando fundo para que te sentisse ali ainda mais junto de mim, quente e tão próximo que nos diria um corpo só. Entrelaçaria a minha mão na tua, entregue a ti, e iria contigo fosse para onde fosse, disposta a descobrir o resto de ti e disposta a deixar-te descobrir o resto de mim. Mas não haveria dúvidas.
E nem uma palavra seria partilhada entre nós. Não haveria necessidade disso.
Ali não.
O resto depois logo se via. Sem pressas e sem medos, o resto depois logo se via. 

6.7.12

Amanhã.

imagem: google 


Hoje é dia de despedidas.
Amanhã é dia de apresentações.
Amanhã começa tudo outra vez.
Hoje, festeja-se o que houve e foi.
Amanhã, o que será e haverá.
Amanhã. Amanhã tudo é novo.
Venha. 

3.7.12

Destranca-te e dir-te-ei quem sou…

imagem: google


Há uns tempos atrás, recebi visita de amiga. Ela estava triste, em baixo, com enorme maralhal de coisas más e ruins a encherem-lhe a mente e peito (apertadinho, apertadinho). Mal a podia olhar (quanto mais tocar) que começava logo a ficar de olhos cheios de lágrimas.
Eu, adepta do “tough love” e porque prefiro evitar cenas de choro quando um bom grito pode resolver a questão de forma muito mais eficaz (muito mais libertador se realmente tivermos o cuidado de gritar tudo o que nos vai na alma como deve ser e de uma só vez, tipo golfada de ar quando se passa demasiado tempo por baixo de água, só que ao contrário, para fora), empreguei o meu melhor tom sarcástico e transformei a coisa numa competição para ver quem teria, afinal, a “pior” vida. Ela dizia uma coisa, eu atirava-lhe com duas. Ela mandava outra e eu nem a deixava acabar. Lembro-me de ter usado a palavra “falhada” muitas vezes. Lembro-me de certas coisas me terem doído. Lembro-me de ela se resignar, desistir da batalha, sorrir meio derrotada e ir dali com nova luz. Não foi curada, mas agradeceu-me a dose de bom senso que a obriguei a engolir. Não sejas totó, respondi-lhe.
E eu, a que ganhou a batalha por tecnicalidades, voltei para dentro de casa e fechei a porta do sítio onde guardo certas ideias que só solto quando sei que podem servir para alguém se sentir melhor. Ignoro-as até onde e sempre que me é possível, mas só o facto de ter que andar sempre com a chave por perto…
Tudo isto para dizer que, de vez em quando, temos de nos mostrar para que os outros se vejam melhor.
Mais ou menos isso.