Para o vencedor do "Quero um engate só para Me", um engate resposta, qual despique.
Emanuel, parabéns.
Sendo agradável à vista e suave nos restantes sentidos,
aproximar-me-ia de ti, devagarinho, como quem não quer a coisa, mas querendo-a,
ansiando-a até, mas nunca revelando-te tal facto.
Aproximar-me-ia, devagarinho, tentando, de alguma forma,
captar um pouco do ar que te tenha passado por cima, por entre a roupa, junto
ao peito, pescoço… fosse de onde fosse, para poder respirar e inspirar-te,
saber-te pelo cheiro, pela reacção provocada em mim. Depois, devidamente
inspirado, respirado, tomaria em atenção outros pormenores. As mãos…
Conseguiria imaginá-las a percorrerem-me o corpo? A agarrarem-me? A puxarem-me
contra o teu peito? Seria capaz? Calma… Sim, conseguiria. Calma…
Os teus olhos receberiam especial atenção logo de seguida.
Inquisitivos ou nervosos? Atentos ou dispersos? Suaves e gentis ou duros e
perscrutadores? Iriam perceber que te olhava de forma tão intensa ou nem dariam
pela minha presença ali tão perto?
A boca. Carnuda e voluptuosa ou de lábios finos e
envergonhados? Conseguiria imaginá-los a dizerem o meu nome? A chamarem-me? A
aproximarem-se para… Calma. Calma. Conseguiria. Sem calma.
Não diria uma única palavra. Ficaria ali, pacientemente
paciente, à espera que desses por mim, que me olhasses e entendesses que, se
ali estava, era porque já tinha visto tudo o que precisava ver para poder
passar a começar a saber o resto, o que interessa saber.
E darias por mim. Olharias. Muito. E irias querer falar mas
não te deixaria. Irias querer estragar o momento perguntando-me o meu nome ou
cumprimentando-me. Não. Shhhh… Levaria a mão até à tua boca, tapando-a
suavemente enquanto te sorria com o olhar. Tocar-te-ia nos lábios, sentindo
neles as certezas que os olhos já me tinham garantido.
E ali ficaríamos durante longos minutos, apenas olhando e
tentando decifrar cada inflexão do olhar, cada movimento, cada respirar mais
fundo, cada semicerrar dos olhos.
Depois de nos entendermos neste silêncio em que tudo é dito e
deixado por dizer, aproximava-me de ti, encostando-me, enterrando a cara no teu
pescoço, respirando-te de perto, lutando contra a vontade de abrir a boca junto
da tua pele para te saborear. Resistindo com todo o meu ser para não te provar
logo ali, sem mais nem menos.
E tu, percebendo e sentindo o mesmo, porias uma mão na minha
anca e puxar-me-ias para junto de ti, obrigando-me a respirar-te ainda mais
fundo. Não falarias. Nem eu falaria.
Não iria haver necessidade disso.
Viravas-me ao contrário, aninhando-me de costas em ti e
levar-me-ias dali, guiando os meus passos com os teus. Encostarias a tua boca
ao meu pescoço, respirando fundo para que te sentisse ali ainda mais junto de
mim, quente e tão próximo que nos diria um corpo só. Entrelaçaria a minha mão
na tua, entregue a ti, e iria contigo fosse para onde fosse, disposta a
descobrir o resto de ti e disposta a deixar-te descobrir o resto de mim. Mas
não haveria dúvidas.
E nem uma palavra seria partilhada entre nós. Não haveria
necessidade disso.
Ali não.
O resto depois logo se via. Sem pressas e sem medos, o resto
depois logo se via.


