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O caminho vai-se estreitando, facilitando. Os passos
dados são-no com outro tipo de confiança. Não se cede tão facilmente a dúvidas,
a questões existenciais, a tormentos fantasmagóricos provocados pelos se’s.
Caminha-se com o olhar ligeiramente mais adiante, sem necessidade de se ir
olhando constantemente para o chão à procura das ratoeiras que nos obrigam a
descobrir mais aquele bocado de nós. Perdemos esse medo. Venha. Eu aguento-me a
mim.
Às tantas, não temos outra hipótese se não a de admitir
que nos conhecemos, que nos sabemos e que, por muito que se resista ao mau e se
eleve o bom, não há nada a fazer a não ser sermos quem sabemos ser, por muito
que nos custe aceitar tal destino, ou não.
Os meus nãos, sinto-o, são cada vez mais fortes, mais
convictos, menos tolerantes a tentativas de desencaminhamento por parte dos se's que vão aparecendo.
A única tentação que de vez em quando me vai tentando o
juízo é a de argumentar certos nãos com um enorme, redondo e incontornável “porque
sim”. Mas não posso. Não devo. Puxar dos galões que se conseguem por via de se
ter aprendido alguma coisa enquanto o tempo passa por nós e nós por ele seria
de certa forma injusto. O tempo ainda não acabou o trabalho dele junto de mim
e eu, junto dele, muito menos. Tenho demasiada fé nele, nos seus ajudantes e em
mim para me ir condecorando com estrelinhas de bom comportamento sem mais nem
menos. O amanhã traz demasiadas hipóteses. Há sempre mais um não a ponderar.
Apesar dos apesares, gosto desta sensação de ir criando
calo. Consigo sentir-lhe os contornos. Sei onde fica e onde vai crescer. Não me
vai incomodar. Se irá ou não incomodar os outros, só dependerá de mim. A
condescendência e paternalismo causam-me espécie.
Houve tempos em que achava que dizer não a algo era o
mais difícil que se podia fazer. Mas não, não é assim. O sim é que é difícil,
daí ter que ser tão bem escolhido. Hoje, sei que sim, que assim é. E será. Cada
vez mais. Não, é?


