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E então, lá respondi ao desafio. Agora é só mexer nisto para cumprir com as regras...
Até lá, fica aqui a versão original. Só para vocês.
Lambidela na cara. Queixume. Outra. Outro.
Um olho aberto. Uma mão estendida. Silêncio.
Acorda-se. Cérebro começa lentamente a funcionar.
Sorriso. Puxam-se as mantas. Aconchego. Sorriso.
Memórias. Recentes e vivas. Memórias.
Os preparativos nunca são fáceis mas, no fundo, são a
alma da festa. São eles que adoçam a antecipação, sossegam o receio de algo
falhar. As compras. A cozinha. Os telefonemas. Os cafés para combinar, planear
tudo. O horror de haver falta ou de menos de algo. Os preparativos engordam a
festa que, por sua vez, engorda quem nela participa. Um dar e receber muito
doce e equilibrado.
Lambidela.
Queixume.
Rosnar suave.
Desistência.
Mais volume por baixo das mantas.
Sossego.
O jantar começa depois de almoço quando tudo se arruma e
carrega para sítio de encontro. Tudo.
Chega-se. Muitas mãos pelas quais distribuir fazeres.
Faz-se. Ri-se. Aprende-se.
Concentração máxima. Não é jantar para estômagos. Não. É
festim para almas. Almas do mesmo sangue ou não mas que nascem e vivem umas das
outras. Que se alimentam à mesma mesa, cuidando que todas ficam saciadas e
satisfeitas.
Os preparativos culminam num enorme monte de louça por
lavar, chão para varrer, lareira para vigiar. Cafés para tirar. Histórias para
partilhar. Notícias para actualizar.
Sorriso.
Aguarda-se a meia-noite.
Tudo arrumado. Tudo provado. Receitas explicadas.
Segredos desvendados em viagens para levar o lixo ou arrumar aquelas panelas.
Calmaria antes da tempestade.
Olha-se a árvore. Bonita. Fazem-se olhinhos ao relógio.
Calma. Já vai. Já vem. Está quase.
E depois, é. Anuncia-se o momento tão esperado.
Olhos brilham. Pés correm. Vozes chamam.
Percorre-se a memória para se ter a certeza que está tudo
em ordem. Nada esquecido. Tudo no lugar.
Informa-se que se quer ser o último a dar o que se trouxe
para todos receberem.
Crescendo de emoções. Surpresas. Lamentos por “não se
poder mais”. Abraços que calam tais palavras e agradecem simples presença.
Sorriso.
Chega o momento.
Distribuem-se pequenas caixas enlaçadas a cada uma das
almas presentes.
Abram, pede-se.
Cada caixa é aberta. Olhos e dedos curiosos mexem e
remexem o conteúdo.
Olha-se à volta.
Levantam-se peças de puzzle escritas.
Sorrisos começam a brotar, substituindo olhares confusos.
Juntem-nas, pede-se.
Começa-se a juntar as peças. Cada um olhando o que o
outro recebeu.
O “Amor Incondicional” da Mãe ao lado do “Amor que
Protege e Segura” do Pai. “Raiz” de cada Avó e Avô mesmo por cima do “Legado”
dos mais novos. Pelo meio, a “Paz e Compreensão” dos Padrinhos ao lado da “Força”
de irmãos e irmãs. A “Serenidade” de quem nos apaixona a alma ao lado da “Felicidade”
e “Futuro” de quem nos nasceu do corpo.
No final, puzzle montado, tudo ligado, encaixado, no
lugar.
Somos nós, explica-se.
Feliz Natal.
E é.
Ficas na cama a manhã toda?
Remexem-se as mantas.
Sim…
Outra lambidela.
Temos de ir. Falta pouco para o almoço.
Eles já estão de pe?
Não. Vamos acordá-los juntos.
É justo. Vamos.
Devias ter feito peça a dizer “Baba” para esse mimado.
“Baba” salta da cama e sai do quarto depois de se lhe
dizer para ir ter com os pequenos.
Sente-se corpo a ser abraçado por outro. Serenidade.
Beijam-se as bocas e apertam-se os braços. Respira-se
fundo e melhor.
Mentalmente, percorrem-se os preparativos para o dia, as
caras das almas a alimentar.
Vamos?
Vamos.
E vai-se. Todos os dias.
Se o natal pode ser quando se quiser, também só termina
quando se desejar, não é?
É, pois.