13.1.12

II Desafio... Estão a dar-me música...

imagem: google

Diz o II Desafio Online de Escrita que devo escolher uma canção e que o título da mesma deve servir de base à minha história, sendo a primeira frase do texto.
Eu escolho, mas com base nas vossas sugestões. A mais estapafúrdia, idiota e totó, ganha.
Simples. 
Mas despachem-se que isto tem prazos!
Fico ansiosamente à espera das vossas sugestões (oh valha-me caredo…).
Siga!

9.1.12

I Desafio Escrita Online - O Natal Perfeito.

imagem: google

E então, lá respondi ao desafio. Agora é só mexer nisto para cumprir com as regras...
Até lá, fica aqui a versão original. Só para vocês.

Lambidela na cara. Queixume. Outra. Outro.
Um olho aberto. Uma mão estendida. Silêncio.
Acorda-se. Cérebro começa lentamente a funcionar.
Sorriso. Puxam-se as mantas. Aconchego. Sorriso. Memórias. Recentes e vivas. Memórias. 
Os preparativos nunca são fáceis mas, no fundo, são a alma da festa. São eles que adoçam a antecipação, sossegam o receio de algo falhar. As compras. A cozinha. Os telefonemas. Os cafés para combinar, planear tudo. O horror de haver falta ou de menos de algo. Os preparativos engordam a festa que, por sua vez, engorda quem nela participa. Um dar e receber muito doce e equilibrado.
Lambidela.
Queixume.
Rosnar suave.
Desistência.
Mais volume por baixo das mantas.
Sossego. 
O jantar começa depois de almoço quando tudo se arruma e carrega para sítio de encontro. Tudo.
Chega-se. Muitas mãos pelas quais distribuir fazeres. Faz-se. Ri-se. Aprende-se.
Concentração máxima. Não é jantar para estômagos. Não. É festim para almas. Almas do mesmo sangue ou não mas que nascem e vivem umas das outras. Que se alimentam à mesma mesa, cuidando que todas ficam saciadas e satisfeitas.
Os preparativos culminam num enorme monte de louça por lavar, chão para varrer, lareira para vigiar. Cafés para tirar. Histórias para partilhar. Notícias para actualizar. 
Sorriso. 
Aguarda-se a meia-noite.
Tudo arrumado. Tudo provado. Receitas explicadas. Segredos desvendados em viagens para levar o lixo ou arrumar aquelas panelas.
Calmaria antes da tempestade.
Olha-se a árvore. Bonita. Fazem-se olhinhos ao relógio.
Calma. Já vai. Já vem. Está quase.
E depois, é. Anuncia-se o momento tão esperado.
Olhos brilham. Pés correm. Vozes chamam.
Percorre-se a memória para se ter a certeza que está tudo em ordem. Nada esquecido. Tudo no lugar.
Informa-se que se quer ser o último a dar o que se trouxe para todos receberem.
Crescendo de emoções. Surpresas. Lamentos por “não se poder mais”. Abraços que calam tais palavras e agradecem simples presença. 
Sorriso. 
Chega o momento.
Distribuem-se pequenas caixas enlaçadas a cada uma das almas presentes.
Abram, pede-se.
Cada caixa é aberta. Olhos e dedos curiosos mexem e remexem o conteúdo.
Olha-se à volta.
Levantam-se peças de puzzle escritas.
Sorrisos começam a brotar, substituindo olhares confusos.
Juntem-nas, pede-se.
Começa-se a juntar as peças. Cada um olhando o que o outro recebeu.
O “Amor Incondicional” da Mãe ao lado do “Amor que Protege e Segura” do Pai. “Raiz” de cada Avó e Avô mesmo por cima do “Legado” dos mais novos. Pelo meio, a “Paz e Compreensão” dos Padrinhos ao lado da “Força” de irmãos e irmãs. A “Serenidade” de quem nos apaixona a alma ao lado da “Felicidade” e “Futuro” de quem nos nasceu do corpo.
No final, puzzle montado, tudo ligado, encaixado, no lugar.
Somos nós, explica-se.
Feliz Natal.
E é. 
Ficas na cama a manhã toda?
Remexem-se as mantas.
Sim…
Outra lambidela.
Temos de ir. Falta pouco para o almoço.
Eles já estão de pe?
Não. Vamos acordá-los juntos.
É justo. Vamos.
Devias ter feito peça a dizer “Baba” para esse mimado.
“Baba” salta da cama e sai do quarto depois de se lhe dizer para ir ter com os pequenos.
Sente-se corpo a ser abraçado por outro. Serenidade.
Beijam-se as bocas e apertam-se os braços. Respira-se fundo e melhor.
Mentalmente, percorrem-se os preparativos para o dia, as caras das almas a alimentar.
Vamos?
Vamos.
E vai-se. Todos os dias.
Se o natal pode ser quando se quiser, também só termina quando se desejar, não é?
É, pois.

4.1.12

Desafio 1. Recebido.

Lá me inscrevi aqui e lá recebi o primeiro desafio. Dissertar sobre O Natal Perfeito. 
Ora, pois. 
À procura de inspiração, revisitei o OMQ - Épocas Natalícias. 
Encontrei o texto abaixo. 
Pouco ou nada mudou na minha vida desde que o escrevi. Mas hoje consigo ver que tinha muito mais razão do que pensava quando o escrevi. 
Ai, se pudesse... Se pudesse!

"Os meus natais sempre foram um pouco diferentes do comum (vejam os posts…). Houve uma altura em que eram passados na companhia de amigos porque ninguém tinha família por perto. Lembro-me de árvores de natal tão atoladas de presentes que mal dava para ver a árvore em si. Gente por todo o lado. Camas feitas no chão… Lembro-me que cada ano se rumava para uma casa diferente onde todos se reuniam. Lembro-me que apesar de poderem estar aí uma 5 ou 6 famílias diferentes, havia sempre algo que as unia e que fazia com que o natal tomasse proporções inimagináveis. 
As refeições eram feitas a preceito. Nada era descurado. Nada. Era uma verdadeira festa em que o que realmente interessava era gente que se gostava estar junta e mais nada. Lembro-me de a minha Avó, uns anos mais tarde quando se juntou a nós, fazer tudo por tudo para que o nosso natal fosse o melhor possível em todos os aspectos. Ela conseguia transformar tudo num enorme festival de alegria. Lembro-me de ela fazer uma coisa em particular e que ainda hoje me dá uma saudade enorme. Nos presentes que oferecia incluía um pequeno embrulho onde colocava uma notinha… tínhamos de estar atentos para ver onde estava esta segunda surpresa. Uma espécie de caça ao tesouro que tornava tudo muito mais divertido. No final da noite, eu e a minha irmã tínhamos os nossos presentes e um pequeno monte de notas que prometia mais presentes… normalmente guloseimas ou berlindes ou gelados ou coisas importantes assim. 
A minha Avó dizia que aquilo nos ajudava a dar valor às coisas porque mesmo que houvesse algo de que não gostássemos muito, podia ser que lá pelo meio houvesse algo que, em jeito de surpresa, nos fizesse mudar de ideias. Uma lógica simples e directa que nos ajudou a perceber que, procurando, consegue-se sempre encontrar algo de bom no meio de algo menos bom, por assim dizer. Passei a dar valor a todos os presentes, nem que fosse por associar uma pequena nota àquele pijama que era feio que nem uma bota da tropa. Batota da minha Avó? Sim. Mas eficaz. 
Outra coisa que aprendi naquelas alturas foi agradecer antes de abrir os presentes. Recebíamos o dito, dávamos dois beijos e um abraço a quem o tinha oferecido e depois de aberto, repetíamos o processo. Dois agradecimentos por coisas diferentes: primeiro por se terem lembrado de nós, segundo por se terem dado ao trabalho de oferecer algo a pensar em nós. 
Ainda hoje é assim em minha casa. 
Se pudesse, oferecia pequenos embrulhos dentro de outros embrulhos a todos quanto quero bem e que fazem parte da minha vida. Oferecia presentes dentro de presentes. Oferecia surpresas dentro de surpresas. Oferecia viagens a boas recordações, idas directas a boas memórias, a bons momentos. Oferecia coisas que fizessem sorrir e rir, que fizessem brotar lágrimas de felicidade. Oferecia pequenos momentos de esquecimento de tudo quanto é mau. Oferecia pequenos abraços que assegurassem que tudo haverá de ser melhor. E para mim bastavam-me aqueles dois beijos antes e mais nada. Mais nada."

Mais nada mesmo. Bom resto de festas para todos.