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Estão a ver quando acontece estarmos com aquela irreprimível vontade de ir à casa de banho mas temos de aguentar e aguentar até começarmos a suar e a mudar de cor e tudo no mundo se resume a visões dantescas da vergonha que se vai passar se dentro dos próximos trinta segundos não houver casa de banho na qual descarregar tal necessidade irreprimível?
Estão?
E estão a ver aquela sensação de puro alívio e paz, em que a mente se esvazia (a mente e não só…), em que o corpo relaxa e em que se torna impossível pensar seja no que for a não ser naquela tranquilidade absoluta que nos avassala o corpo?
Estão?
Pois, então.
Eu acho que o amor é isso. Ou podia ser descrito como sendo isso.
Não o antes, claro. Não aquela primeira parte em que tudo se resume a formas criativas de se evitar profunda dor e vergonha, mas o depois. O depois de se conseguir arranjar forma de fazer com que o desconforto desapareça. Aquela paz. Aquela espécie de dormência que nos invade o corpo, nos fecha os olhos e abre a boca, que nos faz inspirar e esquecer que uns meros segundos antes, o mundo parecia estar a querer explodir por orifício demasiado pequeno para tal responsabilidade.
Sim, acho que o amor é (ou devia) ser isso.
Por isso, da próxima vez que precisarem de evacuar certas reminiscências do normal funcionamento do vosso corpo, lembrem-se que daí a pouco tempo poderão estar a ter uma das melhores sensações extrapoladas do mundo e que nem a possibilidade de não haver papel higiénico no rolo, toalha no toalheiro ou bidé na casa de banho interessa, pois quando se trata de dar ao corpo o que ele precisa, quem se preocupa com pequenos pormenores desse tipo antes de se atirar de cabeça (ou cu) para local tão desejado?
Ninguém!


