13.1.11

E a Medalha para o mais Medalhado vai paaaaaaraaa…


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As gajas são medalhas que os homens ostentam (disse-me ele todo retorcido por se sentir estar a trair a espécie ao fornecer este tipo de informação ao inimigo).
Há diferentes tipos de medalhas, tal como há diferentes tipos de gaja e de gajo (Claro, concordei eu. Há-de haver a medalha para o melhor broche, a melhor queca de costas, a melhor queca em cima da máquina de lavar roupa, a melhor queca no banco de trás do carro… etc, etc, etc.)
Mas as gajas, uma vez “engatadas” com o objectivo de serem medalhas, são isso e mais nada, guardadas num baú secreto (ou não…) e revistas de tempos a tempos de modo a que egos se insuflem e mentes vazias descansem melhor (refutou ele, tentando apaziguar os ânimos através desta espécie de sentimentalismo meio desvairado).
As gajas são medalhas, mas sabem-no (respondi eu).
Depois admiram-se de haver por aí quem tenha virado o jogo ao contrário e tenha construído armário para verdadeiros troféus (disse eu, elevando o tom enquanto ele abanava a cabeça, desconfiado de a espécie feminina ser capaz de tal coisa tão … bleeerggg…. Masculina).
Sim, os homens também têm sentimentos (e basta dar-lhes um pouco do mesmo remédio para se descobrir isto…), mas, por enquanto e do modo que isto anda, reina uma espécie de vingança e frieza feminina que vos deixa a olhar para o telemóvel de cinco em cinco minutos e, pior, que vos deixa a pensar que são péssimos na cama (instiguei eu, olhando-o de lado e sabendo que ferro tinha acertado no sítio certo).
Temos pena.
Foram vocês, homens, que ensinaram isso às mulheres.
Agora, aguentem-se. 

7.1.11

Precisa-se.


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Diz o Bagaço Amarelo que o Amor se quer sujo.
Eu concordo e apoio. Concordo e apoio mas explico a minha perspectiva, claro, que isto do “sujo” pode suscitar muito tipo de interpretação (especialmente por aqui…).
Amor. Sujo.
Amor daquele que nos faz dobrar em dois de antecipação, que nos faz salivar. Que nos faz sonhar sonhos daqueles gritados e suados e tremidos. Que nos faz dizer as palavras “amo-te” ao ritmo dos batimentos do coração (a – tun-tun – mo – tun-tun – te – tun-tun…).
É tudo muito bom e tudo muito bem, mas não é com falinhas mansas que o pessoal chega lá.
É preciso que haja um certo indecoro, uma certa má educação, uma certa falta de pudor.
É preciso mostrar o nosso lado mais básico e primitivo. É preciso deixar que o sentimento que nos consome as entranhas se mostre através delas, num caos desconexo, ardente, desorganizado, tumultuoso… doloroso, até.
É preciso querer ser comido e fodido por aquela pessoa, por “oposição” a fazer amor com ela (isso vem depois…). É preciso, no meio de uma sala cheia de gente, dizer “Fodia-te. Aqui e agora. Fodia-te”.
É preciso haver raiva contra aquela pessoa por ela nos fazer querer ser possuídos até ao tutano, raiva por ela nos fazer querer possuí-la até cegarmos. Raiva e rancor daqueles que fazem do chão de uma cozinha o mais perfeito e ideal dos locais para se comer…
É preciso haver palavras rudes e brutas, cruas e nuas que dizem logo no imediato o que se quer e deseja. É preciso resvalar o confrangimento e a contenção para o desaparecimento.
É preciso saber qual o som dos gemidos mais profundos da pessoa, o sabor da sua pele suada, a força das suas mãos quando nos agarram, a intensidade da sua respiração quando lhe beijamos o pescoço, mordemos a orelha.
É preciso saber ao que soa um “não pares” aflito e suplicante. É preciso saber qual o toque da sua língua em todo o nosso corpo.
É preciso roçar o limiar da dor, o limiar do incómodo, o quase deixar marca permanente.
É preciso saber ao que soam gritos e palavras rasgadas por bocas sedentas. É preciso saber com que cor luzem olhos inchados e semi-fechados de prazer.
É preciso saber qual a dor de uma mordida dada por tanto se querer. É preciso saber o que é sentir dedos a entrarem-nos pela boca a dentro, procurando a nossa língua, e calando-nos assim do grito que viria fazer companhia à dor anterior.
É preciso saber o que é ficar-se com o cheiro daquela pessoa pelo corpo, com o sabor dela entranhado na boca. É preciso saber-lhe o cheiro e o sabor de cor.
É preciso querer inspirar e lamber aquele corpo, mesmo sabendo-o não totalmente próprio para tal. É preciso abocanhar e lamber e sugar, sem medo de nada. É preciso saber o que é ter aquele corpo a deslizar pelo nosso, num frenético chinfrim de suor e saliva.
É preciso saber como a pessoa se vem, como geme quando se vem, como treme, como sustem ou não a respiração, de que forma se lhe abre a boca e fecham os olhos. É preciso saber de que maneiras diferentes se vem. É preciso saber e perceber as diferenças entre a força explosiva de certos orgasmos e a doçura dilacerante de outros.
E é preciso que a outra pessoa saiba o mesmo sobre nós.
O Amor, daquele que dói e faz doer, ou seja, o único que vale a pena, tem de ser visceral, para além da carne, para além da partilha. Tem de nos fazer ferver o sangue, perder os sentidos, ganhar nova vida. Tem de nos fazer sofrer com o desejo de querer sentir de novo aquelas mãos, de sentir de novo aquele sabor, aquela boca a respirar ofegante no nosso corpo.
O Amor quer se queira, quer não, quer-se sujo, desbocado, barulhento, rufia, mal-cheiroso, e, de vez em quando, armado em parvo com tudo e todos, fodido com tudo e todos.
E nada, mas nada, faz tão bem à vida do amor do que duas pessoas saberem estas coisas todas uma da outra e amarem-se por e para isso. De entre todas as outras razões que possam ter para se amarem, terem estas.
E aí sim, ama-se, diz-se Amo-te de boca e peito cheio e sabe-se exactamente o porquê de o dizermos e sentirmos.
Sujo. Definitivamente.