imagem: google
Ai a indecisão… ai a dúvida… ai os dilemas de escolher tema para post. Tinha um, escrito após repasto de ontem, mas depois veio outro assunto e agora não sei o que fazer. E vocês não ajudam!!! Ehhh.
Parafraseando sábia comentadora do estamine: que se foda!
Gajas. Tema central hoje.
Adiante.
Segundo consta, foi aprovada uma nova lei de regulação do poder paternal partilhado, sendo que daqui em diante haverá um maior equilíbrio entre o poder delas e deles no que concerne aos rebentos em comum. Justo. Acho muito bem. Aliás, acho que devia ser obrigatório dar tempo igual a cada progenitor e não esperar que se manifestem sequer quanto ao assunto. Isso é que era. A lei devia ter alínea tipo “Fizeram-no em conjunto não fizeram? Agora criem-no em conjunto também, mesmo que separados. Foda-se”.
Mãe é Mãe. Pai é Pai. Esposa é Esposa. Marido é Marido. Mulher é Mulher. Homem é Homem. Temos aqui três papeis que, a certa altura, se podem ou não integrar e ser assumidos como apenas um. Mulher e Homem casam, tornam-se Marido e Esposa (sem deixar de ser o que eram antes – Homem e Mulher) e, correndo tudo bem, decidem tornar-se também Mãe e Pai.
Depois, correndo tudo mal, decidem acabar com o único papel que na realidade se pode terminar: o de Marido e Esposa. Decidem que essa vidinha não é para eles e lá tratam das coisas para terminar a coisa. Depois, e porque o papel de Mãe e Pai é vitalício depois de assumido, lá têm que pensar no que vão fazer ao rebento ou rebentos que nasceram da relação entre Homem e Mulher (ou Marido e Esposa… whatever). Os Srs. Juízes e Juízas aplicam a lei e dizem: criança vai para Mãe porque está genética, física, mental e psiquicamente mais equipada do que o Pai para assumir a educação da criancinha, sendo que Pai (o incapaz) poderá, caso o deseje, colocar vista em cima do rebento ou rebentos durante um fim-de-semana de quinze em quinze dias. Esta é a norma (há excepções em que Homem e Mulher lá se conseguem lembrar que continuam a ser Mãe e Pai e decidem dividir equitativamente o tempo que cada um passa com a criança ou crianças). Tudo muito bem.
Criança ou criancinhas lá vão para casa da Mãe para serem devidamente educadas por quem se encontra mais equipado para o fazer. Pai fica com pensão de alimentos que poderá ou não pagar, depende… depois vê-se.
A partir daqui, Ex-Esposa (só para não baralhar com o termo "mulher") e Ex-Marido têm de conviver enquanto Homem e Mulher que são também Mãe e Pai, realizando os devidos esforços para que criança “mal note” que já não vivem todos na mesma casa, por exemplo.
E pronto. Tudo fodido.
Ex-Esposa só sabe ser Ex-Esposa, esquecendo-se que é Mulher e Mãe e Ex-Marido só sabe ser Ex-Marido, esquecendo-se que é Homem e Pai. Esquecem-se igualmente que criança não é terreno de batalha para lutas e guerras em que a cabeça e coração das mesmas são simultaneamente prémio e alvo. Tudo fodido.
A culpa é delas. Das Mães, Mulheres, Ex-Mulheres… Delas. As gajas. É delas.
Nem me vou dar ao trabalho de falar das excepções porque dessas não reza a história… nem eu conheço muitos exemplos (ainda que sejam de louvar, de partilhar e de imitar, copiar na íntegra).
Pai é ausentado da vida do rebento por ter nascido Homem. Mãe, por ter nascido Mulher, recebe tutela da criança e, a partir daí possui uma vantagem deliciosamente superior à contraparte simplesmente porque durante quinze dias a fio (nos casos normais) é ela quem mais tempo passa com criança. Terreno aberto e livre para criança testemunhar Mãe tentar encontrar-se no meio de toda a neblina causada pelo divórcio e por agora ser Ex-Esposa de alguém (a vergonha!!!!). Terreno aberto para permitir que criança depreenda que culpa é do Pai, esse filho da puta, que enquanto Homem não se soube manter como Marido. Caso criança não depreenda tal facto sozinha, Ex-Esposa ajuda, fornecendo dados e informações preciosas para que olhar de criança crispe sempre que se refira tal personagem. Ex-Esposa empreende luta contra Ex-Marido, o sacana-traidor-filho-da-puta-indecente-estúpido-da-merda-cabrão, utilizando o disfarce de Mãe para chegar a sítios que Mulher não consegue. Criança é ensinada que o facto de já não estarem na casa que dantes era deles ou que o facto de Ex-Esposa passar as noites a chorar ou que o facto de o Pai já não estar lá todos os dias é por culpa do próprio cabrão-filho-da-puta-do-teu-Pai-que-não-quer-saber-de-nós (o “nós” é sempre utilizado porque dizer “de ti” é demasiado mau até mesmo para Ex-Esposas mal resolvidas).
Quinze dias depois, criança, sensibilizada por ter visto Mãe (para a criança, só existe Mãe) passar horas em depressão latente ou não, é levada ao Pai de modo a cumprir o que a lei diz. Criança surge envergonhada, acanhada, mas cheia de saudades do Pai, exacerbando tudo e analisando tudo ao pormenor de modo a verificar se o monstro que é o Pai, segundo a Ex-Esposa, está por lá nesse dia. Verifica que não. Fica baralhada. Recebe palavras de conforto. É informada que Mãe não está contente porque já não é Esposa. Pede-se compreensão. Pede-se tempo. Dá-se presentes. Tudo resolvido.
Criança volta para Mãe. Mãe inquire sobre cada palavra, cada movimento, cada actividade, cada tarefa, cada pessoa que poderá ou não ter estado presente ou ausente durante horas de convívio (saudável, claro) com Pai. Criança fica mais baralhada, com o extra de ficar com sentimento de culpa por se ter que chibar. Ou se cala para sempre, ou leva palmadas para falar (mesmo depois de Pai ter dito que ela não o tinha de fazer e que não seria obrigada a fazê-lo).
Próximos quinze dias são passados a dar a entender à criança que Mãe é boazinha, anda é um pouco cansada visto agora ter que fazer tudo sozinha… Faz-se esforço para que criança não ande mais com crises de choro ou com birras ou com vontade de ver o Pai (ao menos esse não chora nem grita tanto, porra). Dá-se presentes. Criança sossega. Avós intervêm. Cada um para seu lado. Criança divide-se. Tenta encontrar-se. Falha.
É novamente entregue ao Pai, mas desta vez já não mostra tanta saudade. Sabe que não o deve fazer porque, afinal de contas, é ele quem faz a Mãe chorar… tenta fazer, dizer, ver o mínimo possível (assim pelo menos não haverá tanto a contar à Mãe). Pai chateia-se com Ex-Esposa. Criança é devolvida.
Ex-Esposa entra em guerra aberta com Ex-Marido por criança ter receio e medo de ir ter com o Pai. Que andará ele a dizer e fazer à criança? Cabrão! Ex-Marido diz que Ex-Esposa é má Mãe. Mãe lá surge reclamando o tal direito de prioridade por a ter parido e que é para ela uma ofensa tal sugestão. Indigna-se! Acusa Pai de ser mau Pai, Homem de ser mau Homem, Ex-Marido de ser Ex-Marido.
Entra-se em guerra aberta. Criança definha. Esquecem-se de criança. Ex-Esposa e Ex-Marido continuam até ser chamado a intervir psicólogo ou tribunal. Aplique-se a Lei. Apliquem-se os conceitos. Façam-se desenhos. Tomem-se remédios. Entendam-se. Continue-se.
Há muitas outras versões da história. Tantas quanto há pessoas no planeta. Também se pode inverter os papéis. Tudo é possível e viável.
Para mim, e sempre ressalvando as devidas excepções de parte a parte, obviamente, a causa principal destas coisas todas são as Mulheres.
Tenho vergonha delas. Fazem-me sentir mal. Enjoam-me. Enojam-me. Perturbam-me. Deixam-me zangada. Frustrada. Envergonhada. Mulheres que deixam de ser Mães porque só se lembram de ser Ex-Esposas. Mulheres que se reduzem a um papel de insignificância existencial tão grande que se conseguem esquecer por completo que o facto de terem dado à luz (Nem que seja isso! Nem que seja só isso, porra!) uma criança que esteve 9 meses dentro do corpo delas tem de contar para alguma coisa. Foda-se, se até os juízes usam isso como desculpa para lhe garantir as crianças!!
Mulheres que são mesquinhas, ruins, mal formadas, más, cruéis, ridículas, estupidamente absurdas, tristes, vazias, ocas e fúteis e que se esquecem que ser Mãe sobrepõe-se a tudo e todos, que ser Mãe é algo que apenas as Mulheres podem viver da forma como vivemos, que ser Mãe é a coisa mais importante que alguma vez fará na vida dela e dos filhos.
Em vez disso, partem para o afogamento da dor de serem Ex-Esposas de um qualquer Homem (e nessa altura não interessa quem ele é, não, interessa é que ela seja o que se tornou…quais amor quais quê), partem para a não-aceitação de tudo quanto foi criada a acreditar, que ter Marido é que é bom para uma Mulher. Isso é que é importante.
Família do Pai da criança participa activamente na vida da criança? Não pode! Ex-Marido que tivesse pensado nisso antes de se ter ido embora! Divórcio é divórcio! Quais Avós a visitarem a escola da criança qual quê! Oferecerem presentes? Passarem 3 minutos que seja com a criança no dia de anos??? NÃO! Divórcio é divórcio a não ser que se tente inverter esta verdade fodendo a cabeça à criança ao ponto de Ex-Marido, que sendo Pai e Homem, lá ter que intervir e assegurar Ex-Esposa que nunca ninguém ocupará o lugar dela. Que sim, tem pena que as coisas estejam assim. Que sim, é muito mau viver assim, que é difícil lidar com as coisas… Consciências pesadas fazem milagres.
O Ex-Marido, enquanto Homem, arranja nova Mulher e a Ex-Esposa tenta foder tudo, através da criança (mais fácil), porque o seu ego de (Ex-)Esposa não tolera que outra Mulher ocupe o lugar dela, não enquanto Mãe, não… isso seria bom demais, mas enquanto Mulher do Ex-Marido (o papel é dela! Era dela! Aos olhos de Deus...).
Amigos do Pai tentam divertir criança? Mas qual divertimento! Levar criança em passeios? Mas qual quê! O Pai que os pague que os amigos não têm obrigações nenhumas para com a criança!!! Pai é Pai!!!
Eu, enquanto Mulher e enquanto ser devidamente equipado para fazer a gestação de uma criança, parindo-a nove meses depois, sinto-me envergonhada de todas aquelas que de Mulher só têm mesmo o sexo (nem género têm… género é aprendido… e nesse campo, falharam redondamente na aprendizagem).
Não tenho palavras para descrever a revolta e frustração que sinto em relação a este tema. Talvez eu tenha uma noção diferente do que é ser Mulher, Esposa e Mãe. Talvez seja eu a anormal no meio disto tudo. Talvez o meu tal equipamento tenha vindo avariado desde a nascença. Talvez a culpa seja da minha própria Mãe que não me sobe educar, ou do meu Pai que também não o soube fazer.
Talvez a culpa seja das dezenas de exemplos que tenho para ter chegado a este entendimento da questão. Talvez a culpa seja mesmo minha e eu deva reequacionar toda a minha posição e crença e acreditar em relação a este assunto para, também eu, um dia, poder ser a filha da puta inexoravelmente desprezável que deva ser para bem cumprir este meu papel de Mulher.
E pelo amor do vosso deus, nem tentem vir com merdas de “não és Mãe, não sabes” porque até mesmo quem é Mãe, nestes casos, não faz a mais pálida ideia. Não vão por aí…
Eu amo os meus filhos acima de tudo o resto que existe ou venha a existir. Ainda não os tive, e amo-os mais do que qualquer coisa ou pessoa neste mundo. Amo-os ao ponto de se algo correr mal com o Pai dos meus futuros filhos, conseguir (foda-se, é que nem é uma questão de tentar, é de conseguir mesmo e ponto final) continuar a ser a Mulher e Mãe que sou e serei, mesmo podendo ser Ex-Esposa, porque sei que só assim os meus filhos poderão viver bem a vida que têm para viver, porque sei que só assim mostro e vivo o amor que tenho por eles. Porque sei que o papel de Ex-Esposa é um que foi inventado por convenção social, tal como o casamento, e que o de Mulher e Mãe nasceu e há-de morrer comigo.
Foda-se.
(a culpa disto tudo hoje é desta senhora… Lizard King… visitem e vejam porquê)17.4.09
Segundo consta...
imagem: google
Ai a indecisão… ai a dúvida… ai os dilemas de escolher tema para post. Tinha um, escrito após repasto de ontem, mas depois veio outro assunto e agora não sei o que fazer. E vocês não ajudam!!! Ehhh.
Parafraseando sábia comentadora do estamine: que se foda!
Gajas. Tema central hoje.
Adiante.
Segundo consta, foi aprovada uma nova lei de regulação do poder paternal partilhado, sendo que daqui em diante haverá um maior equilíbrio entre o poder delas e deles no que concerne aos rebentos em comum. Justo. Acho muito bem. Aliás, acho que devia ser obrigatório dar tempo igual a cada progenitor e não esperar que se manifestem sequer quanto ao assunto. Isso é que era. A lei devia ter alínea tipo “Fizeram-no em conjunto não fizeram? Agora criem-no em conjunto também, mesmo que separados. Foda-se”.
Mãe é Mãe. Pai é Pai. Esposa é Esposa. Marido é Marido. Mulher é Mulher. Homem é Homem. Temos aqui três papeis que, a certa altura, se podem ou não integrar e ser assumidos como apenas um. Mulher e Homem casam, tornam-se Marido e Esposa (sem deixar de ser o que eram antes – Homem e Mulher) e, correndo tudo bem, decidem tornar-se também Mãe e Pai.
Depois, correndo tudo mal, decidem acabar com o único papel que na realidade se pode terminar: o de Marido e Esposa. Decidem que essa vidinha não é para eles e lá tratam das coisas para terminar a coisa. Depois, e porque o papel de Mãe e Pai é vitalício depois de assumido, lá têm que pensar no que vão fazer ao rebento ou rebentos que nasceram da relação entre Homem e Mulher (ou Marido e Esposa… whatever). Os Srs. Juízes e Juízas aplicam a lei e dizem: criança vai para Mãe porque está genética, física, mental e psiquicamente mais equipada do que o Pai para assumir a educação da criancinha, sendo que Pai (o incapaz) poderá, caso o deseje, colocar vista em cima do rebento ou rebentos durante um fim-de-semana de quinze em quinze dias. Esta é a norma (há excepções em que Homem e Mulher lá se conseguem lembrar que continuam a ser Mãe e Pai e decidem dividir equitativamente o tempo que cada um passa com a criança ou crianças). Tudo muito bem.
Criança ou criancinhas lá vão para casa da Mãe para serem devidamente educadas por quem se encontra mais equipado para o fazer. Pai fica com pensão de alimentos que poderá ou não pagar, depende… depois vê-se.
A partir daqui, Ex-Esposa (só para não baralhar com o termo "mulher") e Ex-Marido têm de conviver enquanto Homem e Mulher que são também Mãe e Pai, realizando os devidos esforços para que criança “mal note” que já não vivem todos na mesma casa, por exemplo.
E pronto. Tudo fodido.
Ex-Esposa só sabe ser Ex-Esposa, esquecendo-se que é Mulher e Mãe e Ex-Marido só sabe ser Ex-Marido, esquecendo-se que é Homem e Pai. Esquecem-se igualmente que criança não é terreno de batalha para lutas e guerras em que a cabeça e coração das mesmas são simultaneamente prémio e alvo. Tudo fodido.
A culpa é delas. Das Mães, Mulheres, Ex-Mulheres… Delas. As gajas. É delas.
Nem me vou dar ao trabalho de falar das excepções porque dessas não reza a história… nem eu conheço muitos exemplos (ainda que sejam de louvar, de partilhar e de imitar, copiar na íntegra).
Pai é ausentado da vida do rebento por ter nascido Homem. Mãe, por ter nascido Mulher, recebe tutela da criança e, a partir daí possui uma vantagem deliciosamente superior à contraparte simplesmente porque durante quinze dias a fio (nos casos normais) é ela quem mais tempo passa com criança. Terreno aberto e livre para criança testemunhar Mãe tentar encontrar-se no meio de toda a neblina causada pelo divórcio e por agora ser Ex-Esposa de alguém (a vergonha!!!!). Terreno aberto para permitir que criança depreenda que culpa é do Pai, esse filho da puta, que enquanto Homem não se soube manter como Marido. Caso criança não depreenda tal facto sozinha, Ex-Esposa ajuda, fornecendo dados e informações preciosas para que olhar de criança crispe sempre que se refira tal personagem. Ex-Esposa empreende luta contra Ex-Marido, o sacana-traidor-filho-da-puta-indecente-estúpido-da-merda-cabrão, utilizando o disfarce de Mãe para chegar a sítios que Mulher não consegue. Criança é ensinada que o facto de já não estarem na casa que dantes era deles ou que o facto de Ex-Esposa passar as noites a chorar ou que o facto de o Pai já não estar lá todos os dias é por culpa do próprio cabrão-filho-da-puta-do-teu-Pai-que-não-quer-saber-de-nós (o “nós” é sempre utilizado porque dizer “de ti” é demasiado mau até mesmo para Ex-Esposas mal resolvidas).
Quinze dias depois, criança, sensibilizada por ter visto Mãe (para a criança, só existe Mãe) passar horas em depressão latente ou não, é levada ao Pai de modo a cumprir o que a lei diz. Criança surge envergonhada, acanhada, mas cheia de saudades do Pai, exacerbando tudo e analisando tudo ao pormenor de modo a verificar se o monstro que é o Pai, segundo a Ex-Esposa, está por lá nesse dia. Verifica que não. Fica baralhada. Recebe palavras de conforto. É informada que Mãe não está contente porque já não é Esposa. Pede-se compreensão. Pede-se tempo. Dá-se presentes. Tudo resolvido.
Criança volta para Mãe. Mãe inquire sobre cada palavra, cada movimento, cada actividade, cada tarefa, cada pessoa que poderá ou não ter estado presente ou ausente durante horas de convívio (saudável, claro) com Pai. Criança fica mais baralhada, com o extra de ficar com sentimento de culpa por se ter que chibar. Ou se cala para sempre, ou leva palmadas para falar (mesmo depois de Pai ter dito que ela não o tinha de fazer e que não seria obrigada a fazê-lo).
Próximos quinze dias são passados a dar a entender à criança que Mãe é boazinha, anda é um pouco cansada visto agora ter que fazer tudo sozinha… Faz-se esforço para que criança não ande mais com crises de choro ou com birras ou com vontade de ver o Pai (ao menos esse não chora nem grita tanto, porra). Dá-se presentes. Criança sossega. Avós intervêm. Cada um para seu lado. Criança divide-se. Tenta encontrar-se. Falha.
É novamente entregue ao Pai, mas desta vez já não mostra tanta saudade. Sabe que não o deve fazer porque, afinal de contas, é ele quem faz a Mãe chorar… tenta fazer, dizer, ver o mínimo possível (assim pelo menos não haverá tanto a contar à Mãe). Pai chateia-se com Ex-Esposa. Criança é devolvida.
Ex-Esposa entra em guerra aberta com Ex-Marido por criança ter receio e medo de ir ter com o Pai. Que andará ele a dizer e fazer à criança? Cabrão! Ex-Marido diz que Ex-Esposa é má Mãe. Mãe lá surge reclamando o tal direito de prioridade por a ter parido e que é para ela uma ofensa tal sugestão. Indigna-se! Acusa Pai de ser mau Pai, Homem de ser mau Homem, Ex-Marido de ser Ex-Marido.
Entra-se em guerra aberta. Criança definha. Esquecem-se de criança. Ex-Esposa e Ex-Marido continuam até ser chamado a intervir psicólogo ou tribunal. Aplique-se a Lei. Apliquem-se os conceitos. Façam-se desenhos. Tomem-se remédios. Entendam-se. Continue-se.
Há muitas outras versões da história. Tantas quanto há pessoas no planeta. Também se pode inverter os papéis. Tudo é possível e viável.
Para mim, e sempre ressalvando as devidas excepções de parte a parte, obviamente, a causa principal destas coisas todas são as Mulheres.
Tenho vergonha delas. Fazem-me sentir mal. Enjoam-me. Enojam-me. Perturbam-me. Deixam-me zangada. Frustrada. Envergonhada. Mulheres que deixam de ser Mães porque só se lembram de ser Ex-Esposas. Mulheres que se reduzem a um papel de insignificância existencial tão grande que se conseguem esquecer por completo que o facto de terem dado à luz (Nem que seja isso! Nem que seja só isso, porra!) uma criança que esteve 9 meses dentro do corpo delas tem de contar para alguma coisa. Foda-se, se até os juízes usam isso como desculpa para lhe garantir as crianças!!
Mulheres que são mesquinhas, ruins, mal formadas, más, cruéis, ridículas, estupidamente absurdas, tristes, vazias, ocas e fúteis e que se esquecem que ser Mãe sobrepõe-se a tudo e todos, que ser Mãe é algo que apenas as Mulheres podem viver da forma como vivemos, que ser Mãe é a coisa mais importante que alguma vez fará na vida dela e dos filhos.
Em vez disso, partem para o afogamento da dor de serem Ex-Esposas de um qualquer Homem (e nessa altura não interessa quem ele é, não, interessa é que ela seja o que se tornou…quais amor quais quê), partem para a não-aceitação de tudo quanto foi criada a acreditar, que ter Marido é que é bom para uma Mulher. Isso é que é importante.
Família do Pai da criança participa activamente na vida da criança? Não pode! Ex-Marido que tivesse pensado nisso antes de se ter ido embora! Divórcio é divórcio! Quais Avós a visitarem a escola da criança qual quê! Oferecerem presentes? Passarem 3 minutos que seja com a criança no dia de anos??? NÃO! Divórcio é divórcio a não ser que se tente inverter esta verdade fodendo a cabeça à criança ao ponto de Ex-Marido, que sendo Pai e Homem, lá ter que intervir e assegurar Ex-Esposa que nunca ninguém ocupará o lugar dela. Que sim, tem pena que as coisas estejam assim. Que sim, é muito mau viver assim, que é difícil lidar com as coisas… Consciências pesadas fazem milagres.
O Ex-Marido, enquanto Homem, arranja nova Mulher e a Ex-Esposa tenta foder tudo, através da criança (mais fácil), porque o seu ego de (Ex-)Esposa não tolera que outra Mulher ocupe o lugar dela, não enquanto Mãe, não… isso seria bom demais, mas enquanto Mulher do Ex-Marido (o papel é dela! Era dela! Aos olhos de Deus...).
Amigos do Pai tentam divertir criança? Mas qual divertimento! Levar criança em passeios? Mas qual quê! O Pai que os pague que os amigos não têm obrigações nenhumas para com a criança!!! Pai é Pai!!!
Eu, enquanto Mulher e enquanto ser devidamente equipado para fazer a gestação de uma criança, parindo-a nove meses depois, sinto-me envergonhada de todas aquelas que de Mulher só têm mesmo o sexo (nem género têm… género é aprendido… e nesse campo, falharam redondamente na aprendizagem).
Não tenho palavras para descrever a revolta e frustração que sinto em relação a este tema. Talvez eu tenha uma noção diferente do que é ser Mulher, Esposa e Mãe. Talvez seja eu a anormal no meio disto tudo. Talvez o meu tal equipamento tenha vindo avariado desde a nascença. Talvez a culpa seja da minha própria Mãe que não me sobe educar, ou do meu Pai que também não o soube fazer.
Talvez a culpa seja das dezenas de exemplos que tenho para ter chegado a este entendimento da questão. Talvez a culpa seja mesmo minha e eu deva reequacionar toda a minha posição e crença e acreditar em relação a este assunto para, também eu, um dia, poder ser a filha da puta inexoravelmente desprezável que deva ser para bem cumprir este meu papel de Mulher.
E pelo amor do vosso deus, nem tentem vir com merdas de “não és Mãe, não sabes” porque até mesmo quem é Mãe, nestes casos, não faz a mais pálida ideia. Não vão por aí…
Eu amo os meus filhos acima de tudo o resto que existe ou venha a existir. Ainda não os tive, e amo-os mais do que qualquer coisa ou pessoa neste mundo. Amo-os ao ponto de se algo correr mal com o Pai dos meus futuros filhos, conseguir (foda-se, é que nem é uma questão de tentar, é de conseguir mesmo e ponto final) continuar a ser a Mulher e Mãe que sou e serei, mesmo podendo ser Ex-Esposa, porque sei que só assim os meus filhos poderão viver bem a vida que têm para viver, porque sei que só assim mostro e vivo o amor que tenho por eles. Porque sei que o papel de Ex-Esposa é um que foi inventado por convenção social, tal como o casamento, e que o de Mulher e Mãe nasceu e há-de morrer comigo.
Foda-se.
(a culpa disto tudo hoje é desta senhora… Lizard King… visitem e vejam porquê)16.4.09
E depois dizem-me coisas destas…
imagem: google
Os últimos dias não têm sido muito fáceis. Não vos vou aborrecer com os pormenores da coisa, mas digamos que tem havido necessidade de reajustar certos e determinados predicados em certas e determinadas áreas (vocês podem nunca ter reparado, mas aqui a Je tem a incrível capacidade de encher chouriços, falar muito e não dizer nada, escrever muitas palavras que, espremidas, não significam nem representam nada… arte aprendida à força e praticada sempre que necessário… e agora foi).
No entanto, apesar dos apesares, posso partilhar convosco que um dos assuntos que tem vindo à baila nos círculos de discussão tem sido aqui o Tasco, o estamine OMQ, sim, esta Outra Merda Qualquer que, sendo ou não uma merda, é a tal Minha Merda Qualquer.
Orgulho-me do estamine, do tasco. Orgulho-me do que aqui existe, porque mesmo que virtual, existe mesmo. Tem alma. Tem presença. Existe. E faz tanto parte de mim como o meu sotaque (que pelos vistos tenho ainda que o negue repetidamente dizendo “nã tenh’nada!”) ou como o facto de fumar ou como o facto de demorar uma eternidade para beber um café (tem que render, porra… 60 cêntimos por uma coisa tão pequena tem de render…). Mantenho isto porque já não sei como não o fazer. Estico os dedos, escrevo umas palavras e no minuto seguinte tenho gente a visitar-me a gastar tempo em comentar e responder ao que digo pura e simplesmente porque sim! Eu posso ir na rua e dizer “bom dia” a alguém que passe por mim que me olham logo de lado como se fosse maluca da cabeça ou os quisesse assaltar. Venho aqui e falo sobre coisas sem jeito, sobre coisas que fodem a tola ou não, digo disparates, asneiras, acuso os homens de serem uns totós e as mulheres de serem umas parvas, falo sobre sexo e faço rimas, conto histórias minhas e partilho “segredos”… dou pedacinhos de mim não porque quero que alguém lhes pegue mas apenas, pura e simplesmente porque quero. Porque posso. Porque me apetece. Porque sei que terei sempre o supremo dos argumentos para quem não gostar: Não venha!!! Foda-se!
Ocupa-me tempo (tudo quanto nos é querido, tudo quanto gostamos ocupa-nos tempo, essa coisa mais preciosa que temos e que dedicamos ao que e a quem realmente vale a pena), dá-me trabalho (às vezes muito mais do que poderia imaginar). Roubo tempo a outras coisas para vir cá. Mas tento sempre fazer com que ninguém fique a perder com a coisa… Pago a factura, recebo o “castigo”. Sei que não se pode ter tudo… Sei que quem come em chibo não come em bode… (sim, a expressão existe… perguntem à minha Mãe). Para se ter umas coisas não se pode ter outras. A manta não estica. O gato esconde-se mas deixa o rabo de fora… etc, etc, etc. Whatever.
Mas do que é que ela está a falar?, perguntam vocês e com razão… Nada que vos diga respeito, respondo eu também com razão…
Num dia difícil em que esta Outra Merda Qualquer foi quase alvo de OPA, disseram-me isto:
“Só passei para escrever que gosto muito de ler o que escreves, Me.Gosto porque existem pessoas com as quais nos identificamos.
Gosto porque já ri e chorei com as tuas palavras.
Gosto porque fazes desta tua "casa" mi "casa".
Gosto porque me habituei a ler-te.
Beijo
Flower”
Oh, foda-se. E eu nem pedi nada! Foi mimo que me deitou por terra. Foi mimo que me deixou sem palavras (tirando o foda-se…). Oh, Maria Flower… porra, pá. Porra.
Dois anos e meio de mim aqui que condensam quase 30 de mim por aí.
E depois dizem-me coisas destas… Lá há melhor factura para pagar do que esta? Não, não há.
O Tasco continua sereno no seu caminho… jarrinho para contributos para pagar as multas bem em cima do balcão.
E prontes.
Tudo isto para dizer que estou cá, mesmo que por vezes não me vejam.
Hei-de estar na cozinha a preparar um petisco qualquer para todos ou a mandar uma rapidinha com o meu Sr. Mr. Gajo em cima da máquina de lavar ou a fazer as duas coisas ao mesmo tempo… Não se preocupem (acharam mesmo que ia deixar esta onda de sentimentalismo e emoção tomar conta de mim?? Ahhh seus tolos, deviam saber melhor do que isso…).
Estou cá. E agradeço-vos a todos estarem aí.
À nossa.
8.4.09
Happy Whatever
Minhas Meninas e Meus Meninos,
Tendo em conta a época festiva que aí vem, aproveito para vos dizer qualquer coisa do tipo eh, pá, não comam muito que ficam gordos e não bebam muito que ficam bêbados.
Estarei por aqui nos próximos dias, mas menos afincadamente que tenho um dia de férias, um feriado e um fim-de-semana para gozar… Tudo assim de seguida para não parecer mal.
A todos, feliz essa coisa que aí vem!
(e sim, a imagem é a mesma do ano passado, mas como gosto tanto dela, têm de levar com a coisa na mesma. Azar. O blog é meu…!).
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